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Projetos de 14 parques eólicos têm condições de gerar mais de 500,53MW
Adriana Dal Bosco

No Ceará, os projetos incluídos no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), do Ministério de Minas e Energia (MME), envolvem 14 parques eólicos em condições de gerar 500,53MW, resultado de investimento da ordem de R$ 1,7 bilhão. Essa capacidade corresponde a mais de 30% do total previsto para o Brasil, nesta primeira etapa. O programa estabelece o prazo de 31 de dezembro de 2008 para a primeira fase.

Do total projetado, 11 empreendimentos estão liberados e com obras em andamento - três com prazo de conclusão previsto para este ano. Outros três ainda precisam das licenças ambientais, segundo informa Renato Rolim, coordenador de Energia e Comunicações do Governo do Ceará. A expectativa de operação dos parques em execução fica para o primeiro trimestre de 2009. Rolim observa que algumas empresas enfrentaram problemas de repasse de recursos dos financiamentos, fornecimento de equipamentos (pás, torres, aerogeradores), além da questão de licenciamento na via costeira. “Tudo isso ocasionou algum retardado”, assinala.

Questões relacionadas ao índice de nacionalização dos projetos, estabelecido em 60% - o Brasil tem somente um grande fabricante de aerogerador que é a Wobben Windpower – também complicaram o cronograma inicial. Situação agravada ainda pela forte demanda internacional no setor, que limitou a oferta de equipamentos.

Diante desse cenário, alguns empresários consideram difícil o cumprimento do prazo que prevê entrada em operação das usinas até dezembro deste ano e contam com a possibilidade de um prazo mais elástico. A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica) trabalha junto ao Governo Federal no sentido de empurrar para julho de 2009. De acordo com a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), os governadores do Nordeste também se mobilizam para assegurar que o leilão previsto para o início de 2009 seja exclusivamente para energia eólica.

Dos projetos em andamento no Ceará, a Bons Ventos, controlada pelo grupo Servtec e pelo Fundo de Investimentos Brasil Energia, gerenciado pelo Banco Pactual, tem quatro parques, representando capacidade total de 155MW. O diretor Luiz Eduardo Barbosa de Moraes diz que o parque de Albatroz, na Praia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, à 50 km de Fortaleza, em condições de gerar 16,5 MW, deverá entrar em operação no final de outubro.

Nos demais projetos - Bons Ventos, em Aracati, 50MW; Canoa Quebrada, de 57MW e o Enacel, de 31,5MW, as obras civis já começaram e envolvem a construção de linha de transmissão de 66km. Para o parque de Canoa, a estimativa de conclusão das obras é no final do ano, mas a operação comercial vai depender da conclusão da linha de transmissão. “Estamos trabalhando para que toda as torres estejam instaladas até 30 de dezembro”, adianta Barbosa de Moraes.

A Ecoenergy Beberibe, na Praia das Fontes, distante 90km de Fortaleza, prevê inaugurar a usina em setembro. Em condições de gerar 25,6 MW, a unidade ocupa área de 158,15 acres e foi construída com equipamentos da Wobben Windpower. O coordenador de Energia e Comunicações, Renato Rolim, acrescenta que a Impsa Wind, outra empresa do setor com projetos em execução, prevê concluir o parque em Icaraizinho, próximo à praia de Jericoacoara, ainda em novembro.

Atualmente, o Estado conta com três usinas da Wobben Windpower, com capacidade de geração de 17,4MW. O Ceará tem condições de produzir 25 mil megawatts (MW) de energia eólica em terra e outros 10 mil MW no mar.

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