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Sábado, 4 de Outubro de 2008 Setembro / Outubro 2008, Produção Sem Comentários

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Com o corte da chapa de aço do primeiro navio do Estaleiro Atlântico Sul, em Suape (PE), o presidente Lula simbolizou o renascimento da indústria naval no País
Adriana Guarda

O dia 5 de setembro de 2008 entrou para o calendário da indústria naval como uma data histórica, quando diante de quatro mil espectadores, entre operários e convidados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o corte da chapa de aço do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Suape a 57 km do Recife.

O presidente Lula lembrou que em 2002, quando cancelou a compra das plataformas P-51 e P-52 no exterior e apostou na construção de navios e plataformas de petróleo no Brasil, acertou na decisão. “Se fôssemos seguir apenas a lógica comercial, fazer uma plataforma aqui custa US$ 100 milhões a mais do que comprar na Noruega ou na Coréia. Mas precisamos pensar na geração de empregos, no consumo, na cadeia produtiva que será fomentada”, disse.

Em 2004, o Governo Federal criou o Promef e garantiu as condições para que a indústria naval brasileria, que já foi a segunda maior do mundo nos anos 70 e praticamente naufragou na década de 80, recobrasse o fôlego. Dentro do Promef I, a Transpetro encomendou 26 navios a quatro estaleiros brasileiros. O pacote soma investimento de US$ 2,5 bilhões e prevê a entrega das embarcações até 2010.

O Atlântico Sul garantiu a maior encomenda do Promef I, sendo responsável pela construção de dez navios suezmax (com capacidade de transportar um milhão de barris de petróleo). A chapa de aço cortada em Suape pelo presidente Lula é parte do primeiro petroleiro que será lançado ao mar, em abril de 2010, pelo estaleiro pernambucano.

“Nosso estaleiro será um divisor de águas na história do setor naval no Brasil. Estamos transformando canavieiros, pescadores, donas de casa e sacoleiros em operários da indústria naval. Chamaram o nosso estaleiro de virtual e agora saímos na frente na construção do primeiro navio petroleiro, cuja entrega será em abril, data em que a construção do estaleiro também será concluída, disse o presidente do Atlântico Sul, Paulo Haddad.

O empreendimento está sendo construído em etapas, porque com parte da estrutura em operação já é possível iniciar a montagem dos navios. “Hoje já estamos com 40% da estrutura do estaleiro pronta”, adianta Haddad.

PROMEF II
O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, aproveitou o evento em Suape para falar sobre o andamento do Promef II. A expectativa é que as propostas de preço sejam entregues pelos estaleiros no dia 8 de outubro. “Nossa estimativa é anunciar até o final deste ano quem são os ganhadores das novas encomendas”, revela. A segunda etapa do Promef vai contratar 23 navios (ver quadro) petroleiros e gaseiros.

Segundo Machado, entre 12 e 15 estaleiros nacionais devem participar da licitação, além de 12 companhias internacionais de países como Coréia, Japão, China e Polônia, que receberam cartas-convite.

Na avaliação de Sérgio Machado, o aço continua sendo um dos desafios do programa. O primeiro lote de 18 mil toneladas para atender ao Atlântico Sul teve que ser negociado com a siderúrgica ucraniana MetInvest porque as cotações das empresas brasileiras estavam 30% mais altas. “Nossa intenção era comprar todo o aço no mercado nacional, porque o Brasil tem o maior custo de produção do mundo. Mas não seremos levianos, porque temos que comprar de quem oferecer o menor preço”, afirma. O segundo lote de aço de 11 mil toneladas foi comprado à siderúrgica brasileira Usiminas, mas o terceiro (8 mil toneladas) ainda está em negociação, sendo cotado em seis siderúrgicas nacionais e estrangeiras.

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, destaca a geração de empregos proporcionados pela retomada da indústria naval. “Na década de 70 quando o setor estava no auge, atingimos o número de 40 mil funcionários. Com as duas etapas do Promef, o contingente deve alcançar 60 mil pessoas, num crescimento pelo menos 50% superior ao do período áureo”, compara.

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NAVIPEÇAS
Um tema polêmico na retomada da indústria naval é o setor de navipeças. Enquanto a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reclama que os empreendimentos estão importando peças e componentes que poderiam ser fornecidos por empresas nacionais, os estaleiros afirmam que o setor de navipeças ainda não está preparado para atender às demandas com os equipamentos necessários e preços competitivos.

Na tentativa de se aproximar dos fornecedores pernambucanos, o vice-presidente do Estaleiro Atlântico Sul Ângelo Bellelis, está articulando com o Sindicato da Indústria Metalmecânica de Pernambuco (Simmepe), a realização de rodadas de negócios. “Algumas peças que não temos como adquirir no mercado nacional, a exemplo de motores e bombas, estamos trazendo de fora. Mas é possível comprar aqui tubulações, móveis e outros produtos”, diz Bellelis.

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