header image

15.jpg
Suape vai receber R$ 1,2 bilhão para investir em infra-estrutura e se preparar para a chegada dos grandes empreendimentos
Adriana Guarda

O Complexo Industrial Portuário de Suape (distante 57 km do Recife) não é apenas o maior canteiro de obras privadas do País. O porto também está repleto de intervenções públicas para garantir a infra-estrutura básica aos grandes empreendimentos em implantação, como a Refinaria Abreu e Lima e o Estaleiro Atlântico Sul. Se os investimentos das empresas vão somar algo em torno de US$ 6 bilhões, os governos estadual e federal deverão aportar pelo menos R$ 1,2 bilhão num curto período de dois anos.

“Nossa previsão em 2007 era investir R$ 600 milhões em infra-estrutura para atender aos grandes projetos, mas já refizemos as contas e esse valor vai saltar para R$ 1,2 bilhão”, calcula o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e presidente do Porto de Suape, Fernando Bezerra Coelho. Os recursos serão aplicados na construção de novos cais, nos acessos viários, em dragagem e na construção de píeres.

Apesar de serem dotados de excelente infra-estrutura, receberem empreendimentos como uma unidade de refino e uma indústria de construção de navios, requerem de Suape características específicas. Os navios da Petrobras que vão trazer o petróleo para processar na refinaria precisam de uma profundidade de até 19,5 metros, além de grandes berços de atracação.

“Para realizar as obras de infra-estrutura necessárias à refinaria, realizamos uma parceria inédita com a Petrobras. A estatal vai adiantar recursos para as intervenções e os valores serão descontados das tarifas portuárias que seriam pagas ao complexo quando a unidade estiver operando”, explica o diretor de Engenharia e Meio Ambiente de Suape, Ricardo Padilha.

O acordo foi assinado em agosto, no Recife, pelo governador Eduardo Campos e o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O Porto de Suape vai receber R$ 475 milhões em investimentos, com perspectiva de iniciar as obras em novembro deste ano e concluir até julho de 2010.

Paulo Roberto diz que as intervenções vão permitir que navios de grande porte atraquem em Suape para descarregar petróleo e depois deixem o porto, transportando os derivados produzidos na refinaria para as Regiões Norte e Nordeste. Com investimento de US$ 4 bilhões, a refinaria terá capacidade de processar 200 mil barris de petróleo por dia para transformar em derivados como diesel, GLP, querosene de avião e bunker (combustível para navios).

Os recursos da Petrobras serão aplicados em dez obras. As principais são a construção de um píer petroleiro com dois braços de atracação para receber grandes embarcações dos tipos suezmax e aframax, além da dragagem da bacia de evolução, reforço do molhe, implantação de uma tubovia e construção de uma via de acesso batizada de Express Way. A rodovia terá oito quilômetros de extensão e servirá ao transporte de cargas sem atrapalhar o movimento turístico da região, já que Porto de Galinhas é um dos principais atrativos turísticos do Estado.

A Refinaria Abreu e Lima vai movimentar cerca de 23 milhões de toneladas de carga por ano em Suape, podendo gerar receita anual de R$ 92 milhões. Durante um período de 25 anos, 50% dessa receita portuária será destinada ao pagamento do adiantamento da Petrobras e os 50% restantes serão utilizados pelo porto.

O diretor-presidente da refinaria, Marcelino Guedes Gomes, explica que parte dos recursos (R$ 165 milhões) serão bancados integralmente pela Petrobras e que o restante (R$ 310 milhões) será compensado com o pagamento das tarifas.

23.jpg

MAIS OBRAS

Além das obras para atender à Refinaria Abreu e Lima, o Porto de Suape também faz intervenções para garantir a operação do Estaleiro Atlântico Sul e de outros empreendimentos que estão sendo erguidos no complexo. Boa parte da extensa lista de obras precisa ser entregue até 2009. As intervenções incluem a duplicação da TDR-Sul (uma das avenidas de Suape), a construção de uma rodovia de contorno da refinaria, a recuperação estrutural do cais de múltiplos usos (CMU) e do píer de granéis líquidos 1 (PGL1), além do cais 5 e da implantação de uma unidade do corpo de bombeiros, que foi recentemente inaugurada. A estimativa é que essas intervenções somem R$ 216,2 milhões.

A duplicação da TDR-Sul, que tem previsão de conclusão para março de 2009, vai aumentar de duas para quatro o número de pistas do acesso e facilitar o fluxo de veículos no complexo, que tem crescido rapidamente. A obra vai custar R$ 38,8 milhões. Outra obra em andamento é a pavimentação e iluminação de acessos para atender às indústrias. A proposta é investir R$ 18,5 milhões.

Outra vitória do Porto de Suape foi a decisão da Secretaria Especial de Portos (SEP) de aumentar de R$ 110 milhões para R$ 240 milhões os recursos para dragagem e derrocamento da bacia de evolução para receber os navios petroleiros da Refinaria Abreu e Lima, em Suape. Os recursos serão repassados pelo PAC da Dragagem, que dispõe de R$ 1,1 bilhão para obras em portos de todo o País. “A SEP tinha nos encomendado um estudo para avaliar a possibilidade de estreitar o canal de acesso de 300 para 210 metros e reduzir o custo da obra”, lembra Ricardo Padilha. Sem o estreitamento do canal, o valor da obra poderia chegar a R$ 350 milhões, em função da existência de 580 mil metros cúbicos de crosta no fundo do mar. Mantendo a largura do canal seria necessário fazer implosões numa área maior e encarecer a obra.

Comentários para “O canteiro de obras não é só das empresas”

Sem comentários até o momento. Comente.

Deixe um comentário

XHTML: Caso queira você pode utilizar as tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>

 





anuncie.jpg
moura_dubeux.jpg
tecon_suape1.jpg
lavatec.jpg
sindanpe.jpg
sinaval.jpg
agemar.jpg
atlantico_sul.jpg
banco_nordeste.jpg
classic1.jpg
gm.jpg
govpe.jpg
porto_recife.jpg
sindacucar.jpg
sindope.jpg
suape.jpg