Motivado pelo cenário atual de intenso aquecimento econômico, o BNB criou o “Cresce Nordeste”, um programa de financiamentos que disponibiliza mais de R$ 6 bilhões em linhas de crédito para vários segmentos empresariais
Renata Menezes
A região Nordeste vive tempos de desenvolvimento econômico. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região elevou o seu Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, a soma das riquezas produzidas, de 12,7% em 2004 para 13,1% no ano seguinte.
Estima-se ainda que, atualmente, o PIB nordestino gire em torno de US$ 95 bilhões. Além disso, a região possui o maior número de estados brasileiros e responde por 30% da população nacional, com aproximadamente 50 milhões de habitantes.
Atento a esse novo panorama, o Banco do Nordeste (BNB) criou, em 2005, o Cresce Nordeste, um programa de financiamentos com juros mais baixos e prazos maiores destinado a empresários e empreendedores de todo o Brasil interessados em investir na Região. Seu principal objetivo é fomentar as atividades econômicas em bases sustentáveis, fortalecendo o mercado interno.
Anualmente são disponibilizados recursos através do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), superiores a R$ 6 bilhões, para financiar o setor produtivo em diversas áreas: industrial, tecnológica, turística, cultural e ambiental, por exemplo.
Dentre as linhas de crédito operadas pelo banco, destacam-se programas de financiamento do FNE, através do PROINFRA, INDUSTRIAL e SERVIÇOS e do Fundo da Marinha Mercante (FMM), que possibilitam a concessão de créditos para as atividades de infra-estrutura econômica portuária não-governamental, da indústria de construção e reparação naval, bem como para empresas prestadoras de serviços de transporte de passageiros e cargas, com prazos que variam de acordo com o investimento.
Segundo a gerente de Políticas Públicas do BNB, Nívia de Oliveira Galindo, o banco financiou o montante de R$ 54,8 milhões para as atividades econômicas relacionadas à indústria naval e transporte aquaviário, enquanto que o FMM, em operação no BNB a partir de 2007, teve demanda de R$ 37,5 milhões.
“Além disso, o BNB pode financiar a ampliação e modernização da frota pesqueira, concedendo crédito para a construção, ampliação e modernização de embarcações pesqueiras destinadas à pesca oceânica”, ressaltou Galindo.
Em Pernambuco, os recursos disponibilizados pelo BNB passaram de R$ 629 mil em 2006, para pouco mais de R$ 927 mil em 2008. Ao todo, mais de 17 mil empresas foram beneficiadas.
A gerente também informou que a instituição tem recebido diversas consultas para apoiar atividades auxiliares de logística, ligadas ao transporte marítimo de cargas e de empreendimentos localizados no entorno do Complexo de Suape, com potencial de investimentos torno de R$ 100 milhões.
De acordo ainda com o Programa, que utiliza recursos do FNE, o BNB vai além da ação creditícia: disponibiliza aos empreendedores uma base de conhecimentos técnico-financeiros e mercadológicos sobre a Região, com o apoio de canais de informação que permitem um atendimento especial a quem decide investir no Nordeste.
No Cresce Nordeste os financiamentos para pessoas físicas e jurídicas dos setores rural, industrial, agroindustrial, turístico, comercial e de prestação de serviços são concedidos mediante a apresentação de projetos técnicos ou propostas.
EMPRESAS BENEFICIADAS
A Netuno Alimentos, empresa pernambucana, lançou no último dia 01 de julho, o projeto “O sertão vai virar um mar de peixe”, que marcou o início das obras de um complexo agroindustrial da empresa na cidade de Belém do São Francisco (PE), à 455 km do Recife. O protocolo de instalação prevê recursos da ordem de R$ 90 milhões, financiados pelo BNB. O investimento total previsto pela empresa é de R$ 102,4 milhões. “Sem o apoio do BNB, não seríamos hoje a maior indústria de pescados do Brasil. Há cinco anos, o Banco do Nordeste é o nosso principal agente financeiro e o grande responsável pelas transformações pelas quais o Nordeste está passando”, revelou o presidente da Netuno, Sérgio Colaferri.
O presidente do BNB, Roberto Smith, destacou que esse projeto vai aumentar a oferta de alimentos e fortalecer o empresariado pernambucano. “Somos um banco de desenvolvimento a serviço dos nossos clientes”, afirmou. O governador Eduardo Campos reforçou as palavras de Smith: “O BNB tem dado uma grande contribuição para o crescimento do Nordeste, sendo um parceiro solidário e competente. Estamos juntos nesse projeto”.
Ainda no mês de julho deste ano, o Banco contratou a primeira operação de financiamento do Estado de Pernambuco no âmbito do Cresce Nordeste Exportação, lançado em abril. Os recursos, da ordem de R$ 5 milhões, serão destinados à aquisição de componentes para a produção de acumuladores elétricos do Grupo Moura, que tem sede em Belo Jardim (PE) e atua na industrialização e comercialização de baterias, com tradição na exportação de produtos para os Estados Unidos, Portugal, Porto Rico, República Dominicana, Guatemala, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
De acordo com o gerente da Agência do BNB Recife - Domingos Ferreira, Marcelo Guimarães do Rego, essa operação é a de maior valor já aprovada pelo Banco, desde que o Programa teve seus limites ampliados, em maio deste ano, para prover suporte financeiro à exportação e incrementar a participação das empresas nordestinas no volume nacional de exportações.
“Essa é uma ação que traduz bem os esforços do Banco de incentivo às exportações em Pernambuco. O Cresce Nordeste Exportação representa uma oportunidade de abertura de novos mercados para os produtos nordestinos”, afirmou o gerente.
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