Companhia aérea dos Emirados Árabes está facilitando as exportações brasileiras para o Oriente Médio e a Ásia
Adriana Guarda

Seis vezes por semana – com exceção da sexta-feira – um Boeing 777 da Emirates Sky Cargo pousa no Aeroporto Internacional André Franco Montoro, em Guarulhos, para fazer a rota São Paulo-Dubai. Os aviões partem do solo brasileiro carregados de produtos como frutas, carne bovina, peixes, ovos, material elétrico e equipamentos odontológicos. Quinze horas depois,
as mercadorias desembarcam em Dubai – uma das sete cidades-estado dos Emirados Árabes Unidos – de onde serão distribuídas por todo o Oriente Médio e Ásia.
Fundada em 1985, a Emirates Sky Cargo começou a operar com aeronaves próprias no Brasil em outubro de 2007. Antes, o transporte de cargas saindo do País era realizadoem parceria com outras companhias, como TAM eVarigLog.
De acordo com a Câmara de Comércio Árabe- Brasileira, a entrada em operação da companhia contribuiu para o aumento das exportações brasileiras para os países árabes por via aérea. Entre 2006 e 2007, as vendas saltaram de 2.200 para 3.400 toneladas. Há 23 anos dirigindo a divisão de cargas da Emirates, o indiano Ram Menen adianta que, a partir de julho, as freqüências para o Brasil serão diárias. “Estamos muito satisfeitos com os resultados no mercado brasileiro e acreditamos que o País será a nossa porta de entrada para outras nações da América do Sul”, disse Menen, que concedeu entrevista exclusiva à Cais do Porto.com, durante visita que fez a São Paulo para participar da Intermodal South América. A companhia, que marcou presença no evento com um estande em formato de um de avião, trouxe seu staff da área de cargas.
O executivo conta que no Brasil só conhece São Paulo, mas sabe do potencial de outras regiões produtoras, a exemplo do Nordeste. No mercado nacional, a Emirates fechou parceria
com a empresa Scand, que é responsável por encontrar clientes interessados e em condições de exportar para o Oriente Médio e Ásia, a partir da companhia árabe.
A executiva da Scand no Sul do País, Cynthia Duarte, conta que atualmente os negócios com a Emirates estão concentrados nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. “Mas a empresa também tem interesse no Nordeste, principalmente no potencial exportador da fábrica da Ford, na Bahia”, destaca. Já os árabes estão interessados em vender por aqui produtos das indústrias química e farmacêutica. Ram Menen conta que hoje a Emirates tem uma frota de 104 aeronaves de passageiros, além de outras dez utilizadas apenas para o transporte de cargas. “Nos próximos anos vamos ampliar a nossa frota com a encomenda de 242 aviões que fizemos. Desses, 18 serão exclusivamente de carga, enquanto os demais são usados para passageiros e também transportam carga nos porões”, explica. Os investimentos nos novos aviões são estimados em US$ 30 bilhões, dos quais US$ 5 bilhões serão destinados ao segmento de transporte aéreo.
A companhia também vem investindo na ampliação da sua armazenagem de carga. Em março deste ano, o terminal localizado no Aeroporto de Dubai teve a sua capacidade triplicada, passando de 400 mil para 1,2 milhão de toneladas. No Brasil, além da utilização do terminal
de cargas de Guarulhos, a empresa também estuda a possibilidade de passar a ter operação no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), mas ainda sem data para começar.
No ano fiscal 2006/2007, a Emirates Sky Cargo transportou mundialmente 1,2 milhão de toneladas de carga e contabilizou receita de US$ 1,4 bilhão. Hoje, o setor responde por 19,7% de todo o faturamento de transporte da companhia. No ano passado, além da estréia no Brasil,
a empresa também inaugurou rotas para Veneza (Itália), Toronto (Canadá), Houston (Estados Unidos), Newcastle (Austrália), Ahmedabad (Índia) e Djibuti (África).

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