Com a instalação da Mhag Serviços e Mineração, primeiro empreendimento a operar com graneis sólidos em Suape, o Complexo pernambucano entra para a história como precursor na operação com minério de ferro no Nordeste, com marca recorde de 75 mil toneladas em um mesmo carregamento
Renata Menezes

Um novo capítulo na história do Porto de Suape foi escrito a partir da instalação da Mhag Serviços e Mineração S.A. A companhia também se destaca por ter sido o primeiro empreendimento com recorde de carregamento de navio feito em Suape, movimentando mais
de 75 mil toneladas, em 2006. O feito possibilitou ao Porto pernambucano a abertura de novas possibilidades de negócios e começava a sinalizar para o mercado mundial, que necessitava importar a commoditie nacional de forma operacional.
De acordo com informações do gerente de Logística e Porto da Mhag, Guilherme Pinheiro, atualmente os granéis sólidos respondem por 7% da movimentação de Suape. Apesar do crescimento, Suape ainda tem potencial para mais. Hoje, o Porto conta, além da Mhag, com mais três empresas especializadas em granéis sólidos. “Se compararmos o número da movimentação de granéis sólidos, com apenas dois anos de atividades, aos 93% restantes, divididos em granéis líquidos, açúcar e cargas conteinerizadas operadas há mais de 20 anos no Porto, constatamos a importância das operações no fortalecimento da economia gerada no Complexo”, comemora Pinheiro. “Suape está em ritmo acelerado com a chegada dos novos
empreendimentos e investe cada vez mais na melhoria de sua infra-estrutura e segurança. A Mhag quer acompanhar esse crescimento e também busca investir em novos equipamentos
e no aumento das exportações”, revelou Pinheiro.
Os investimentos da Mhag em equipamentos ultrapassam a soma de R$ 25 milhões, incluindo o recém adquirido guindaste portuário móvel, modelo 500 G, que é o equipamento com maior capacidade de içamento de carga em operação na América Latina. Com isso, diminuiu em
quase três dias o tempo de permanência de um navio de minério de ferro no Porto, passando dos atuais cinco para dois dias.
Ainda conforme Pinheiro, a empresa tem planos de investir na produção do pellet feed (minério de ferro fino) em suas instalações, localizadas no município de Jucurutu, Rio Grande do Norte. “Nossa idéia é iniciar os embarques desse produto por Suape ainda este ano”. A Logística adotada para esta fase é multimodal. Via rodoviária, desde a mina em Jucurutu (RN) até Juazeirinho (PB), através do terminal de transbordo rodoferroviário da empresa na Paraíba, e segue para a Mhag em linha férrea da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), num percurso de 350 km percorrido em 24 horas.
Para ampliar as atividades de processamento de minérios e de Logística na Paraíba e no Rio Grande do Norte, a empresa tem contratado serviços terceirizados para execução dos projetos de engenharia, análises de viabilidade e sondagens que já se encontram em fase adiantada de
elaboração.
Além das atividades de exportação, a empresa também presta serviços de movimentação de cargas para terceiros a partir de seu terminal instalado junto ao Cais 1. “Essa foi a forma encontrada para otimizar os custos, ampliar nosso leque de serviços e capacidade operacional”, destaca Pinheiro.
Em julho de 2007, o grupo majoritário da Mhag, a Campina Participações, vendeu 30% das suas ações para o grupo inglês Noble, sediado em Hong Kong. A Noble é um conglomerado de empresas que atua no transporte marítimo (180 navios próprios) e na gestão comercial de
quase 200 embarcações; caracteriza-se como uma trading de commodities na operação portuária e no setor energético.
Toda produção atual da Mhag destina-se ao grupo inglês. No Brasil, a Noble possui moinhos, exporta soja, açúcar, álcool e minério de ferro e atua na comercialização de produtos, bem como em investimentos em plantas e infraestrutura portuária. Até maio de 2008, a empresa embarcou apenas um navio de sinter-feed, e a meta é realizar outro embarque no segundo semestre. “Enquanto isso, estão sendo feitos investimentos expressivos na mina para condicioná-la à produção de pellet-feeder, granulometria do minério com que trabalharemos em Suape.
Ainda este ano iniciaremos a produção, o transporte e o embarque desse produto”, afirma o diretor de Logística e Porto da Mhag.
A meta da Mhag para os próximos três anos é exportar o minério de ferro com a capacidade máxima de transporte do modal ferroviário, que hoje é de um milhão de toneladas por ano. A previsão é aumentar esse volume a partir de 2012, quando a capacidade de escoamento deverá chegar a cinco milhões de toneladas. “Estes volumes, no valor das tarifas atuais, deverão movimentar em torno de R$ 25 milhões aos cofres do Complexo de Suape, anualmente”, explica Pinheiro.
No início de 2009, depois de cumprir as formalidades contratuais, a empresa começará a investir no seu novo Terminal, que terá capacidade para armazenagem e movimentação de 15 milhões de tonelada por ano. O novo Terminal de Granéis Sólidos, previsto no Plano Diretor do
Porto, cujos trabalhos para elaboração do projeto conceitual estão em andamento, receberá investimento na ordem de R$ 100 milhões. “O valor poderá aumentar conforme a modalidade do contrato com o Porto de Suape”, ressalta Guilherme Pinheiro.
O Terminal foi projetado para atender às futuras demandas de exportação do minério e de outros granéis sólidos minerais. Para qualificar a obra será utilizada tecnologia de ponta. “Com isso, poderemos operar com navios do tipo Capesize de 200.000 TPB, em apenas dois dias”, conclui Pinheiro.

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