Obra foi autorizada pela Secretaria Especial de Portos e vai contar com R$ 25 milhões do PAC

O Porto do Recife não poderia ganhar presente melhor no seu 90º aniversário, que será comemorado em setembro deste ano. No último dia 27 de maio, a boa notícia foi anunciada pelo ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito: a dragagem do porto foi autorizada pelo governo Federal. Bom para os trabalhadores do porto, que erguiam faixas durante a solenidade, no cais 2 do porto, pedindo a compreensão da SEP para o assunto; para os exportadores, que vão ganhar tempo e dinheiro na movimentação de cargas; para o porto, que está recebendo novos investimentos após uma temporada de vacas magras; e bom para a economia de Pernambuco, que fortalece um terminal estratégico, capaz de complementar as operações realizadas no Porto de Suape, distante 57 quilômetros do Recife.
A obra, que vai aumentar o calado do porto de 9 para 11,5 metros, está orçada em R$ 25 milhões e está incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao todo, serão retirados dois milhões de metros cúbicos de sedimentos, o que permitirá que navios de até 50 mil TPB (Tonelada de Porte Bruto) atraquem no cais recifense. “O que nós vamos fazer com a dragagem, que já foi autorizada pelo presidente Lula, é dar condições para que o Porto do Recife possa receber, cada vez mais, navios maiores, sem demora na espera do navio e
sem custo para os exportadores. Nossos produtos vão ser, portanto, mais competitivos”, resume o ministro Pedro Brito. A dragagem é uma reivindicação antiga da administração do Porto do Recife. A limitação do calado está prejudicando a exportação do principal produto movimentado pelo porto: o açúcar.
O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar) temia perder espaço no mercado na próxima safra, que começa em outubro, mas acredita que, com o início das obras, há garantia de bons negócios. “O anúncio da dragagem gera tranqüilidade para uma safra que inicia em outubro, quando teremos, em média, de cinco a seis navios por mês atracados, somando 60 em seis meses”, afirma o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha.
Ele relata as dificuldades sofridas pelos exportadores para movimentar seus produtos pelo porto. “Temos sofrido dificuldades de atracamento, tendo que embarcar num píer e depois se movimentar para outro. Agora, ganhamos em economia de escala, que é fundamental no quesito de Logística”, comemora.
A necessidade de aprofundamento do calado do porto foi sentida até mesmo pelos investidores internacionais. Segundo Renato Cunha, o Porto do Recife havia sido descredenciado das bolsas de Londres e de Nova Iorque por conta dos prejuízos causados às empresas que amargavam a demora para os navios atracarem e receberem a mercadoria. “As perdas são grandes, de até US$ 20 mil por dia de atraso. Isso ocorre porque o calado médio do porto está inferior a nove metros e a bolsa exige, no mínimo, 9,5 metros durante todo o píer, para o açúcar ser entregue”, explica.
Dados do Sindaçúcar mostram que cerca de 60% do açúcar produzido no Estado vão para o exterior, a maior parte para Rússia, Estados Unidos e alguns países da África e do Leste Europeu. “Não podemos perder competitividade. O navio pesado não tem condições de enfrentar o nosso calado”, protesta Cunha, ressaltando a importância da dragagem para a manutenção dessas operações.
Apesar do empenho para acelerar a liberação das obras de dragagem, a administração do Porto do Recife foi pega de surpresa com a notícia do ministro Pedro Brito. “Ele me deu essa notícia de primeira. Ele me disse: - olha, Catão, vou resolver o teu problema. O seu porto é o único que está ok, com projeto e licenciamento. Então, vou anunciar isso (a dragagem) lá (no Recife). Não esperava”, confidencia o presidente do Porto do Recife, Alexandre Catão, com a
sensação de mais um desafio superado.
O que o ministro quis dizer é que o Porto do Recife poderia ter que esperar ainda mais por sua dragagem, não fosse o esforço da administração em acelerar o projeto. Isso porque a expectativa inicial era de que a Casa Civil e a Secretaria Especial de Portos reunissem os projetos executivos e os licenciamentos de todos os portos nacionais que precisam realizar obras de dragagem, para que fosse feita uma licitação internacional e, dessa forma, baratear os custos das obras.
Como os demais portos não prepararam os projetos em tempo, o porto do Recife foi contemplado numa ação isolada. “É uma obra relativamente pequena, mas que, iniciada, certamente será concluída em pouco tempo. Quero dizer, com isso, que essa é a resposta que o presidente Lula tem dado às reivindicações da área portuária. Os projetos andam e acontecem e nossa obrigação é atender com rapidez”, afirma Brito.
De acordo com a SEP, o PAC dispõe de R$ 1,4 bilhão para investir no melhoramento da infraestrutura de 15 portos brasileiros. O Porto do Recife será o primeiro do Brasil a receber recursos para sua dragagem, dentro desse pacote. A estimativa do Porto é que, após o início das obras, a dragagem esteja concluída em seis meses. No que depender da SEP, não haverá
contingenciamento de recursos. “São todos recursos do PAC. Isso significa que não vai ter nenhum problema de restrição orçamentária, que o dinheiro, de fato, vai ser liberado”, garante o ministro.
A dragagem será complementada pelas obras de recuperação do acesso rodoviário interno do Porto do Recife, que já estão em curso. Estão sendo investidos R$ 4 milhões do governo Federal para fazer uma nova pavimentação das vias portuárias.
TERMINAL MARÍTIMO
No mesmo dia em que recebeu o sinal verde da SEP para realizar as obras de dragagem, o Porto do Recife foi contemplado, também, com a assinatura de um convênio para a construção de um novo terminal marítimo de passageiros. O acordo foi firmado entre os governos Federal e Estadual e a administração do porto. O projeto vai consumir R$ 2,8 milhões, sendo R$ 2,5 milhões da SEP e R$ 300 mil do governo de Pernambuco.
O terminal pretende atender à crescente demanda de transatlânticos que aportam no Porto do Recife. Na temporada 2005/2006, o porto recebeu 44 navios de turismo. Já no período 2007/2008, o número de embarcações subiu para 71, conforme dados da administração portuária. “Queremos, com esse novo terminal, que haja um crescimento de até 30% no número de cruzeiros na próxima estação”, vislumbra o secretário estadual de Turismo, Silvio Costa Filho.
O novo terminal será dotado de toda a infra-estrutura necessária para receber o turista com conforto, segurança e comodidade. A estrutura será construída no local do armazém 7, no Bairro do Recife. Ao chegar ao porto, o turista terá, à disposição restaurantes, lanchonetes,
serviços aduaneiros, como postos da Polícia Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Receita Federal, além de ponto de táxi permanente. A intenção do presidente do Porto, Alexandre Catão, é que o novo terminal comece a operar já em dezembro deste ano.
Este é o segundo projeto que prevê a construção de um terminal marítimo de passageiros no Porto do Recife. O primeiro já foi executado, mas a estrutura está sem funcionalidade desde a sua inauguração, em 2000, por ter sido construída num trecho onde não há espaço para a evolução dos navios.
“Somente o Porto do Recife vai ter licitação antecipada e no local. O ministro Pedro Brito já confirmou com a sua equipe e pediu pressa. Recife conseguiu essa dragagem por esforço e mérito próprios”. Alexandre catão, presidente do Porto do Recife.
“O problema do escoamento do açúcar foi um dos fortes motivos que aceleraram o processo de dragagem. Na pauta de exportação do Estado de Pernambuco, 40% pertence ao açúcar”. Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do
Açúcar e do Álcool de Pernambuco.
“Com essa dragagem, navios de maior porte poderão atracar no Porto e, com eles, mais cargas, gerando com isso mais trabalho, emprego e renda. A continuidade do Porto depende dessa obra”. Ricardo Von Sohsten, presidente do Sindicato dos
Operadores Portuários de Pernambuco.
“Passamos a ter um horizonte mais concreto. Sabíamos que o governo Feredal iria liberar a licitação, mas não tinhamos previsão de tempo, mês e dia. O convênio já está sendo elaborado para assinarmos e lançarmos o edital. O clamor dos usuários e a pressão política foram condições importantes para o processo de aceleração do edital”. Antônio Falcão da Rocha, superintendente administrativo do Porto do
Recife.
“Essa obra de dragagem é muito importante para o Porto do Recife e também para o estado de Pernambuco. Com a dragagem o porto se tornará mais atrativo e isso é bom para as empresas que operam nele”. Manoel Ferreira, presidente da Agemar
Empreendimentos.
antonio ferreira dos santos Domingo, 17 de Agosto de 2008
Acredito na capacidade de Catão. Vamos ter uma grande dragagem. Nas outras dragagens que ele esteve a frente foi benifício para todos portuários. É um grande passo. Deus te proteja.