Moradores da Ilha de Tatuoca, em Suape (PE), participam de reforço de escolaridade patrocinado pelo Estaleiro Atlântico Sul para concluir o Ensino Fundamental 1
Adriana Guarda

Retomar a convivência com livros, cadernos e lápis não foi fácil para a comunidade de pescadores da Ilha de Tatuoca, em Suape (PE). Acostumados ao trabalho no mangue e à pescaria, os moradores estão assistindo à mudança do perfil econômico do lugar com
a construção do Estaleiro Atlântico Sul (EAS).
A chegada do empreendimento impõe a eles a necessidade de voltar a estudar para ir à procura de novas oportunidades de trabalho. Atentos à necessidade de inclusão dos moradores da ilha, o estaleiro lançou o Programa Tatuoca, que tem como proposta oferecer a formação no Ensino Fundamental 1 (até a 4ª série) aos jovens e adultos da comunidade. Ministradas pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), as aulas tiveram início em fevereiro deste ano e se estendem até outubro.
Dessa primeira turma participam 60 alunos, sendo pelo menos um de cada uma das 48 famílias da ilha. O curso acontece na Escola Santo André, em Tatuoca. Para realizar o curso na escolinha da ilha, o EAS precisou investir em pequenas reformas. Uma das intervenções foi a eletrificação da unidade de ensino para permitir a realização das aulas, que acontecem das 16h às 18h30 e das 18h30 às 21h. Até hoje, a comunidade não tem acesso à energia elétrica.
Com a preocupação de estimular a volta aos estudos e gerar renda, o Atlântico Sul oferece uma bolsa mensal de R$ 200 aos alunos do reforço de escolaridade em Tatuoca. “O pagamento da bolsa será condicionado à assiduidade dos alunos. Por conta desse bônus e do interesse dos moradores em conquistar uma vaga no estaleiro, devemos vamos chegar ao final do curso, em outubro, sem evasão”, acredita Paulo Lyra, gerente da unidade do Sesi no município do Cabo de Santo Agostinho.
Autorizado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), dentro do Programa de Educação de Jovens e Adultos, ao final do curso os participantes terão o certificado de conclusão do Ensino Fundamental 1. O presidente do EAS, Paulo Haddad, adianta que além de promover o curso, o empreendimento vai contratar um integrante de cada uma das famílias da ilha. “A colocação de cada um vai depender de seu desempenho.
Eles poderão ocupar funções que vão desde soldador, montador e maçariqueiro, passando por vigilante ou serviços gerais”, enumera. O executivo revela que o estaleiro já está articulando
a formação de uma segunda turma para o reforço de escolaridade, que deverá ser iniciada até o final do ano, logo após a conclusão da primeira.
“Ensinar não é o nosso objetivo, mas percebemos a carência da comunidade e estamos desenvolvendo esse trabalho e aprendendo junto com eles”, assinala Haddad. O EAS investiu cerca de R$ 150 mil na primeira etapa do projeto. Na avaliação do presidente da Associação de Moradores da Ilha de Tatuoca, Edson Antônio da Silva, a ação de responsabilidade social do estaleiro deveria ser replicada por outras empresas.
“Dentro de Suape existem 27 comunidades carentes que poderiam ser beneficiadas com iniciativas como essa”, defende o líder comunitário, que dá o exemplo aos demais moradores sendo um dos alunos do programa.
OUTROS PROJETOS
As ações de responsabilidade do Atlântico Sul começaram com a construção da Escola Nascedouro de Talentos, no município de Ipojuca. A empresa investiu R$ 600 mil para transformar o antigo matadouro público da cidade numa unidade de ensino que foi doada à Prefeitura Municipal.
Outro investimento do EAS foi a construção, dentro do Porto de Suape, do Centro de Treinamento Engenheiro Francisco Vasconcelos (CT), com recursos da ordem de R$
3 milhões. O CT está sendo utilizado na capacitação prática dos funcionários do estaleiro, mas foi doado ao complexo e poderá ser utilizado para o treinamento de trabalhadores de todas as empresas.
De acordo com o projeto de responsabilidade social do estaleiro, estão inclusas, ainda, a construção de um conjunto habitacional com duas mil moradias para os funcionários do empreendimento e o investimento em 50 leitos na obra de um hospital no município de Ipojuca. “Estamos fechando as condições do financiamento para as casas junto à Caixa Econômica Federal”, diz Haddad.
A idéia é que as moradias de 49,5 metros quadrados (sala, dois quartos, cozinha, banheiro e dependência de empregada) sejam doadas aos funcionários que completarem dez anos de atuação no estaleiro.

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