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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008 Refinaria, Abril / Maio 2008 Sem Comentários

Projeção é da Petrobras. Feito será possível a partir do início da operação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco
Ana Cláudia Dolores

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Projetada para produzir 200 mil barris por dia, fruto do refino do petróleo pesado, a Refinaria Abreu e Lima, que está sendo erguida no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, promete tornar a Região auto-suficiente na produção de óleo diesel. A oferta do produto será de 140 mil barris diários, o que corresponde a 70% do total produzido pela unidade de refino. “O Nordeste vai se tornar auto-suficiente, com certeza”, garante o gerente - geral do projeto da refinaria, Ricardo Barreto. A previsão é que ela comece a operar no segundo semestre de 2010.

A Petrobras estima que o consumo de derivados de petróleo no Nordeste varie entre 300 mil e 350 mil barris por dia em 2008. O combustível que abastece a Região é proveniente de refinarias da Bahia, do Sudeste e do Sul brasileiros. O complemento é importado de países onde o preço da commoditie esteja mais competitivo. “O consumo está crescendo e as refinarias não acompanham essa demanda. Então, as unidades são ampliadas, mas chega ao ponto que não comporta mais ampliar, assim partimos para uma nova planta. Essa é a justificativa para a refinaria do Nordeste”, detalha.

Atualmente, não falta combustível para o consumidor final nos postos nordestinos. Esse abastecimento é garantido porque o Nordeste importa parte do que é comercializado, já que a produção local não consegue atender esse mercado sozinha. “A importação fica em torno de 80 mil a 90 mil barris por dia para todo o Brasil, sendo que a maior parte desse diesel vai para o Nordeste”, explica Barreto. É nesse ponto onde a Refinaria Abreu e Lima terá um grande diferencial. Quando se tornar auto-suficiente na produção, o Nordeste não precisará mais importar diesel. “A refinaria tende a equilibrar isso”, resume Ricardo Barreto.

Os mercados que serão atendidos pelo óleo diesel produzido pela Refinaria Abreu e Lima são compreendidos, preferencialmente, pelos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Um percentual da produção também deve ser ofertado aos mercados do Maranhão e de parte da Região Norte. O combustível será transportado para esses locais por via marítima, sendo que, para o mercado pernambucano, a distribuição será por meio rodoviário.

A cartela de consumidores poderá aumentar, o que vai depender, dentre outros fatores, da infra-estrutura de transportes, sobretudo da recuperação da malha ferroviária do Nordeste. “A distribuição poderá ser feita por modal ferroviário, eventualmente, se tiver. A transnordestina seria um bom diferencial para a distribuição do diesel que poderia atingir o Centro-Oeste, parte do Mato Grosso e Tocantins, na nova fronteira agrícola”, afirma Barreto.

Apesar do aumento da oferta de combustíveis que se dará a partir de 2010, com a produção da unidade de refino pernambucana, a Petrobrás acredita que é cedo para afirmar se o preço do diesel vai cair no mercado interno. Tudo vai depender da conjuntura internacional quando as máquinas da refinaria derem partida. “Há uma expectativa que, com a refinaria, haja uma baixa nos preços. Mas, na verdade, o País é importador e existe um referencial internacional para o preço do diesel. O que vai acontecer é a redução das importações, por isso os preços talvez não subam. Também não se pode dizer que vão diminuir, porque o mercado de petróleo é muito dependente de uma conjuntura externa”, analisou o executivo.

A Refinaria Abreu e Lima está orçada em US$ 4 bilhões. A composição acionária está sendo negociada pela Petrobras, em parceria com a estatal venezuelana PDVSA, sendo que 60% das ações pertenceriam à petrolífera brasileira. A previsão inicial é que 50% do petróleo pesado venham da Bacia do Orinoco, na Venezuela, e a outra metade da Bacia de Campos, no Brasil. A Petrobras também trabalha com a possibilidade de que o óleo seja 100% nacional, proveniente de Campos.

Infra-estrutura – O Porto de Suape está recebendo um reforço na sua infra-estrutura para possibilitar o início das operações da Refinaria Abreu e Lima. Um pacote de obras está sendo licitado e deverá ser posto em prática ainda no primeiro semestre deste ano. Um píer com dois berços de atracação, em formato de T, para navios com capacidade de 90 mil e 170 mil toneladas, será construído para permitir o recebimento e a saída dos granéis líquidos movimentados pela unidade de refino. O molhe existente também será reforçado, ganhando duas vias e sendo estendido por mais 100 metros mar adentro. Construção de tubovias para transporte dos granéis líquidos e sinalização náutica também fazem parte do pacote, que é de responsabilida de da Administração do porto. Também será feita a dragagem da bacia de evolução, ampliando a profundidade de 15,5 metros para 19,5 metros. O total do pacote está orçado em R$ 242,5 milhões.

“Esses recursos estão sendo adiantados pela Petrobras, que será ressarcida por nós, possivelmente através de futuras taxas portuárias”, explica o diretor de Engenharia e Meio Ambiente de Suape, Ricardo Padilha. A parte financeira ainda está sendo fechada entre o porto e a petrolífera, mas a expectativa de Suape é que, a partir de 2010, as tarifas portuárias geradas pela movimentação de combustíveis da refinaria rendam em torno de R$ 55 milhões a R$ 60 milhões, que deixariam de ser pagos pela Petrobras até que se completasse o valor investido na infra-estrutura.

O canal que dá acesso ao porto também deve ser ampliado para seis quilômetros de extensão, 300 metros de largura e 19,5 metros de profundidade. A obra está orçada em R$ 350 milhões e é igualmente necessária para viabilizar as operações da refinaria. Segundo Ricardo Padilha, R$ 150 milhões devem ser garantidos pela Secretaria Especial de Portos e o restante deverá ser obtido por receitas futuras.

O modal rodoviário do Complexo, por onde deve ser escoado o produto para o mercado estadual, também está na fila para receber investimentos. Está em curso, em Suape, um projeto para a criação de uma via expressa, que deve ligar o trecho duplicado da BR-101 Sul, nas proximidades da entrada do município de Cabo de Santo Agostinho – distante 31 km do Recife e vizinho a Suape – à parte interna do porto. Com isso, a via urbana, sobretudo a PE-60, no Cabo, seria desafogada. A via teria 16 quilômetros de extensão e custaria cerca de R$ 120 milhões. O projeto está em fase de conclusão e já despertou o interesse de empresas instaladas em Suape que querem investir na construção do ramal para terem preferência no seu uso.

Cronograma de execução do projeto da refinaria está em dia As obras de terraplanagem da área onde será edificada a Refinaria Abreu e Lima, no Complexo Industrial Portuário de Suape, estão ocorrendo dentro do prazo previsto. Da área total, que é de 630 hectares, 30% já foram terraplanados até o início de março, o que representa 18 milhões de metros cúbicos de areia removidos. Cerca de 1,6 mil trabalhadores operam as máquinas no canteiro de obras. A previsão é que a terraplanagem, que teve início em setembro de 2007, seja concluída em janeiro de 2009, consumindo R$ 430 milhões.

No entanto, a Petrobras não vai esperar até lá para começar a construir a refinaria. Já no segundo semestre deste ano, terá início a construção da parte física do prédio. O edital de compra dos principais equipamentos da unidade de refino também sai antes da conclusão da terraplanagem.

O que a petrolífera brasileira não quer é desperdiçar tempo nesse projeto. Para isso, já deu início ao processo de seleção dos primeiros trabalhadores da refinaria. São 236 vagas para profissionais de nível médio - técnico em operação e inspeção de equipamentos e instalação.

O gerente geral do projeto da Refinaria Abreu e Lima, Ricardo Barreto, explica que essa é apenas a primeira das convocações que serão feitas até 2010. Esse primeiro grupo deverá ser contratado de imediato para se submeter a um treinamento intensivo em refinarias da Petrobras de outros estados. “Esses primeiros profissionais precisam de um prazo de treinamento maior, por isso estão sendo contratados agora. À medida que o treinamento demandar, os demais profissionais serão chamados nos outros anos. De forma que quando começar a operar, a refinaria terá 1,4 mil pessoas trabalhando, das quais 700 com contrato direto com a Petrobras”, afirma.

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