Operação envolveu a fusão de duas empresas do mesmo grupo, o A.P Moller, um dos gigantes no setor de navegação
Adriana Dal Bosco

A APM Terminals, com sede em Haya, Holanda, um dos maiores operadores e administradores de terminal de contêiner no mundo, acaba de assumir o controle da Ceará Terminal Operator (CTO), localizada no Terminal Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, a 60Km de Fortaleza (CE). Na prática, a transferência de comando envolveu a fusão de duas empresas do grupo A.P Moller, um dos gigantes no setor de navegação no mundo. O negócio entre a Maersk Brasil, antiga controladora da CTO, e a APM Terminals, foi acertado em 20 de março passado.
“Essa mudança representa a possibilidade de avanços consideráveis, pois vamos contar com o todo o know-how, tecnologia e suporte da companhia para desenvolver o Terminal do Pecém”, assinala o diretor-superintendente da empresa da CTO, Eduardo Linna. Mais do que isso, os contratos realizados pela APM Terminals com armadores globais agora podem ser estendidos para o terminal cearense. A CTO, que depois da negociação mantém a denominação original, desembarcou no Pecém em 2002, resultado de aporte financeiro da ordem de US$ 10 milhões. “Investimos pesado na aquisição de sistemas operacionais, recursos humanos e em equipamentos, nos moldes dos melhores terminais do mundo”, diz. De início, foram gerados 60 postos de trabalho, número que hoje chega a 180. Com achegada da APM a previsão é de 60 postos de trabalho diretos.
Nesse novo cenário, o Terminal Portuário do Pecém poderá se tornar no futuro um hubport, abrindo espaço para operações de “transhipment”, nas quais um porto concentrador de carga recebe grandes embarcações e as redistribui para outros menores. “Com a vinda da APM vamos agregar valor”, diz. Em 2007, a CTO, especializada em embarque e desembarque de contêineres, movimentou algo próximo de 100 mil TEUs, no global. Agora, com fôlego renovado, Linna aposta em crescimento. O executivo projeta para este ano aumento da ordem de 65% na movimentação de contêineres de frutas, sobre o exercício anterior. Em especial, junto a Maersk Line, que concentra expressivo volume de exportações, segundo informa. Ano passado, essa empresa embarcou cerca de 20 mil TEUs em frutas, via Pecém, e deverá atingir 33 mil TEUs em 2008.
No Ceará, a empresa conta com infra-estrutura de seis empilhadeiras com capacidade de 45 toneladas, e quatro para duas toneladas e meia, dois guindastes para 100t, e 12 carretas, entre outros equipamentos. Dois guindastes móveis CTO permitem operar navios com carga de projetos e/ou heavy lifty. “Esse é um diferencial considerável, pois os recursos de terra possibilitam uma operação mais eficiente e segura do que se fossem utilizados os guindastes de bordo”, esclarece Linna. A capacidade máxima de içamento pode chegar a 100 toneladas - dependendo da distancia da carga estivada no navio, até o guindaste em terra. Além desses serviços, a empresa disponibiliza reach-stackers, empilhadeiras, escadas e lacres novos com acompanhamento de pessoal capacitado para o serviço.
ALCANCE MUNDIAL
Com rede de 53 terminais em 31 países e cinco continentes, a APM Terminals está redefinindo a indústria de transporte em contêiner. A estratégia contempla novos investimentos, expansões, e melhorias na infra-estrutura global de terminais. “A APM tem a maior capacidade entre todos os operadores de terminal”, observa Linna, ao ponderar que a empresa fornece serviços de alta qualidade para 60 linhas de navegação. Segundo informa, a companhia tem ainda 14 novos projetos ou ampliações previstas para Europa, América do Norte, América do Sul, Sudeste Asiático, África e Oriente.
Com a expansão, o movimento de contêineres das empresas do grupo, calculado em 400 milhões de TEUs/ano (unidades de 20 pés) - poderá dobrar na próxima década. A APM Terminals iniciou atividades em 2001 como divisão separada e independente dentro do grupo dinamarquês A.P.Moller-Maersk, companhia com histórico de serviços que vem de 1958 e responsável pelo o primeiro terminal de contêineres da Autoridade Portuária de Nova Iorque e Nova Jérsei.
A APM Terminals fechou 2007 com faturamento de US$ 2,519 bilhões, crescimento de 22% sobre o exercício anterior. No período, o lucro líquido atingiu US$ 111 milhões. De acordo com Linna, o volume global movimentado registrou crescimento de 13%, correspondendo a 41,4 milhões de TEUs. Os investimentos em novos terminais somaram US$ 853 milhões no ano passado.
Sem comentários até o momento. Comente.