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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008 Abril / Maio 2008, Infra-estrutura Sem Comentários

Recursos contemplam obras de dragagem do cais, para tornar o Porto de Fortaleza ainda mais atrativo
Adriana Dal Bosco

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A Companhia Docas do Ceará (CDC), que administra o Porto de Fortaleza, prevê investir este ano R$ 60 milhões em infra-estrutura física e operacional, para assegurar maior competitividade e tornar o terminal ainda mais atrativo ao comércio exterior. Os planos contemplam a modernização do sistema de segurança e informática, a construção do Centro de Treinamento e projetos nas áreas de saúde e meio ambiente. A estratégia de expansão en¬volve ainda parcerias com a iniciativa privada na compra de equipamentos para aumentar a eficiência do terminal, na qual trabalham cerca de 1500 pessoas.

Hoje, o Porto de Forta¬leza, também conhecido como Porto do Mucuripe, recebe em¬barcações com, no máximo, 55 mil toneladas. O projeto inicial prevê a ampliação da profundi¬dade do calado de 10,5m para 13m, possibilitando a atracação de navios de até 100 mil tone¬ladas e 300m de comprimento. “As obras de dragagem estão garantidas com os investimentos do Programa de Acelera¬ção do Crescimento (PAC) do governo Federal, da ordem de R$ 40 milhões, previstos no orçamento de 2008 da Se¬cretaria Especial de Portos da Presidência da República. A estimativa é que os trabalhos comecem entre outubro e no¬vembro deste ano, com prazo de conclusão em quatro me¬ses”, diz Sergio Novais, diretor-presidente da companhia.

A construção do Centro de Treinamento e Capacita¬ção da Companhia Docas (1.300m2) fica em torno de R$ 1 milhão, recursos do Orçamento da União de 2008. O Centro vai treinar a mão-de-obra da companhia e também trabalhadores portuários e prestadores de serviços.

A empresa vai colocar em funcionamento o Núcleo de Apoio Portuário (NAP), reunindo em um único espaço todos os órgãos vinculados ao Porto.

No momento, a companhia realiza a modernização do sis¬tema de informática, serviços de pintura dos armazéns e a recuperação da pavimentação e manutenção de sete mil metros quadrados da área de desembarque de veículos e cargas do Porto. “Também estamos chamando o pessoal concursado, pois há defasagem de profissionais”, assinala.

A estratégia de expansão envolve também a articulação com a prefeitura de Fortaleza, municípios da região metropoli¬tana e governo do Estado, para que os gargalos existentes no sistema viário sejam resolvi¬dos. É o caso da ligação com a CE-040. Por terra, o acesso ao Porto de Fortaleza pode ser feito pelas rodovias federais BR-116, BR-222 e BR-020 e também pelas estaduais CE-060 e CE-065. Um ramal ferroviário liga o porto à Malha Ferroviária do Nordeste. Segundo o diretor-presidente da CDC, o acesso rodoviário ainda é o principal problema. “Do ponto de vista ferroviário, creio que são poucas as deman¬das”, diz.

Segundo o diretor-presidente da CDC, a localização na enseada do Mucuripe, em Fortaleza, favorece as opera¬ções. Instalado em área aproximada de 20 hectares, o por¬to atende a empresas de navegação com linhas regulares destinadas a portos da América do Norte, América Central e Caribe, Europa, África e países do Mercosul, além de iti¬nerários para os demais terminais marítimos brasileiros, via navegação de cabotagem. A região de influência engloba os estados do Ceará e Piauí e cidades do Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba, além das regiões Norte, Centro - Oeste e o Vale do São Francisco.

DESEMPENHO

Do volume global movimentado em importações e exportações pelas empresas do Ceará, no ano passado, o Porto respondeu por 46%. Destinos como Estados Unidos, Canadá, Argentina e Europa lideram. Na lista de principais produtos exportados figuram castanha - de - caju, cera de carnaúba, LCC, vergalhões, tecidos, frutas, sal e lubrifi¬cantes. Na importação, bobinas e papel para jornal, diesel, querosene de aviação, gasolina, petróleo, óleo Dendê, de soja, trigo e malte. Ano passado, a movimentação de navios chegou a 728, diante 693 em 2006, números que incluem embarcações de passageiros.

De acordo com Novais, a partir da nova estrutura, envolvendo a ampliação do calado, o Porto de Fortaleza ga¬nha fôlego para duplicar a capacidade de operação e redu¬zir custos. “Com aumento de escala, as tarifas deverão se tornar competitivas, já a partir de 2009”, afirma, ao ponderar que as obras preparatórias, caso da cortina de contenção, já foram concluídas.

PANORAMA LOGÍSTICO

O relatório “Panorama Logístico - Análise e Avalia¬ção dos Portos Brasileiros 2008”, elaborado pelo Coppead -UFRJ, apresenta um dos mais completos levantamentos em 18 terminais sobre a situação portuária brasileira.
O estudo reúne opinião de diversos especialistas do setor sobre os custos das operações, serviços e infra-estru¬tura, e é de extrema relevância para os usuários dos portos e àqueles que prestam serviços em comércio exterior.

Participaram do estudo, 152 executivos de empresas indus¬triais exportadoras de diferentes setores da economia bra¬sileira, sete dos principais armadores/agentes que operam nos portos do País, 38 gestores de terminais portuários e 11 representantes de administrações do setor.
Segundo dados do estudo, o problema de acesso rodoviário liderou, com 53%, seguido de área para arma¬zenagem (51%), saturação do porto (51%), tarifa (47%), janela de atração (44%), calado (43%) e responsabilidade da autoridade portuária (40%). Em volume, os portos brasi¬leiros respondem por 95% das exportações brasileiras.

“Observamos que os usuários percebem muito mais proble¬mas dos portos do que os prestadores de serviços”, assina¬la Paulo Fernando Fleury, diretor do Centro de Estudos e Logística do Coppead.
De acordo com Fleury, o trabalho não embute ne¬nhum juízo de valor. “O que fizemos foi reunir os dados e fazer as contas”, diz o diretor. O CEL tem entre outros objeti¬vos estudar temas relevantes para a logística do País. Para outros detalhes, consultar http://www.forumlogistica.net/site/new/fs-panorama_logistico9.htm (ADB).

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