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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008 Fevereiro/Março 2008, Comércio Exterior 1 Comentários

Por: Inês Andrade
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Integrada pelo governo de Pernambuco e por 12 entidades, a rede ExportaPE quer apontar o caminho do comércio internacional para micro e pequenas empresas do Estado

As microempresas respondem apenas por 0,38% do volume da exportação de Pernambuco e as pequenas participam com 4,42%. A atividade exportadora requer uma preparação maior da empresa do que simplesmente vender para outros estados de um mesmo país. É necessário lidar com uma legislação, cultura e língua que os empresários desconhecem. É preciso descobrir hábitos de consumo diferentes e saber a melhor forma de distribuir uma mercadoria. Quando uma empresa é grande, ela tem recursos para pesquisa de mercado. Mas as micro, pequenas e até médias, por falta de tempo e dinheiro, enfrentam dificuldades para ter em mãos esses dados preciosos.

Para prestar informações, dar orientações e capacitar os micro e pequenos estabelecimentos que pretendem exportar, existe hoje no Brasil uma sériede entidades, sejam elas vinculadas aos governos Federal e Estadual,
iniciativa privada ou sociedade civil organizada. Muitas desenvolvem ações semelhantes, embora funcionem de forma independente. Atividades que poderiam ser otimizadas se fossem melhor articuladas. Serviços que poderiam ser melhor prestados se fossem concatenados. Diante desse desafio, esses organismos em Pernambuco esolveram criar uma rede integrada, intitulada ExportaPE.

“A carência maior das micro e pequenas empresas de Pernambuco é por informação. Quando elas decidem exportar, não sabem a quem procurar. Por isso organizamos a rede ExportaPE, lançada no dia 24 de outubro. Queremos facilitar a vida do exportador, para ele saber quem presta determinados serviços e que serviço é prestado”, define Margarida Collier, analista responsável pelo projeto de Internacionalização das Micro e Pequenas
Empresas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Dentre as ações daRede exportaPE, referentes ao plano de parceria para exportação, estão previstas o lançamento do portal, inteligência comercial (estratégias de acesso aos novos mercados), rede de atendimento integrado, formação de multiplicadores, desenvolvimento de projetos específicos e ações temáticas integradas.

Além do Sebrae, participam da rede a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Ad/Diper), a Associação Comercial de Pernambuco (ACP), Federação do Comércio do Estado de Pernambuco (Fecomércio), Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (CIN- Fiepe), Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Câmara Americana do Comércio (Amcham-Recife), Delegação Holandesa, Correios, a Organização Não-Governamental (ONG) Visão Mundial, Companheiros das Américas e a RedeAgentes (do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

“Nossas instituições resolveram conversar para definir os seus papéis, debater como cada uma pode ajudar a outra para maximizar resultados com menos recursos”, explica Ivone Malaquias, gerente-executiva de Negócios
Internacionais da AD/Diper. Para atuar de forma conjunta, os integrantes da Rede estão elaborando um planejamento, pormenorizando as ações de cada membro para o próximo ano. O plano será posteriormente pactuado com os empresários e, quando aprovado, será posto em execução.

O Sebrae, por exemplo, pretende dinamizar cursos de Comércio Exterior. A entidade andava parada na área de capacitação. Na última semana de novembro, porém, retomou os trabalhos com o curso de práticas cambiais,
para uma turma de 50 pessoas, ministrado pelo Banco do Brasil. As aulas acontecem no Centro de Educação Empresarial. Os cursos que o Sebrae executará no próximo ano estarão previstos no Plano.

Os integrantes da Rede também participarão de missões empresariais e de feiras, conjuntamente, dividindo custos e viabilizando a possibilidade de participar de um maior número delas. “Com menos recursos e esforços, todo
mundo ganha e poderemos ir para mais feiras. Vamos fazer um calendário de eventos único para Pernambuco”, ressalta Ivone Malaquias.

A Rede pretende ainda implementar uma espécie de expresso cidadão da exportação, que ficará no térreo da sede da ACP, na Praça do Marco Zero, Bairro do Recife. As instituições que a compõem estarão presentes - num
único local - para prestar informações técnicas aos clientes.

Desde o seu lançamento, a Rede se preocupou em disseminar a sua criação e atuação por meio de seminários. O primeiro deles foi em Caruaru, realizado ainda em outubro. Participaram cerca de 100 empresários, a maioria do ramo de confecções, entre exportadores e potenciais exportadores. Na ocasião, foi criada a rede do Agreste. O segundo seminário aconteceu em Petrolina.

RIQUEZA

O esforço para conquistar mercados externos é cada vez mais necessário, sobretudo frente à invasão de produtos de países concorrentes, como os chineses que enfraqueceram o setor têxtil brasileiro. Exportar é trazer
poupança de consumidores estrangeiros para a economia interna, gerando maior capacidade de investimentos, emprego e renda.

A perspectiva é que o volume exportado em Pernambuco alcance US$ 784 milhões em 2007, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex). As médias empresas respondem hoje por 22% desses recursos e as grandes ficam com 72%, apesar de as micro e pequenas empresas representarem cerca de 90% do número de firmas existentes. Não é à toa que, dos 96,6 mil estabelecimentos cadastrados como pessoa jurídica em Pernambuco, somente 286 exportam. Hoje, o Estado é o quarto exportador do Nordeste, embora tenha o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) da região. Em 1999, figurava na terceira colocação, mas perdeu para o Ceará.

Mesmo com todas as dificuldades para conquistar novos mercados, algumas micro e pequenas empresas de Pernambuco conseguiram ampliar os seus negócios ao derrubar essas barreiras. “O melhor caminho para exportar
ainda é por meio das feiras internacionais, ainda que sejam feitas no Brasil. Elas trazem compradores de fora”, entende Maria Eduarda Guerra Guidon, gerente comercial da Artes e Ofício Artesanato Ltda, situada em
Piedade. Por meio dos eventos, a empresa amplia os seus contatos com compradores internacionais. A Artes e Ofício exporta peças artesanais de decoração para o Paraguai, Uruguai e Bolívia. “Exportar abre novos
mercados e não nos deixa dependente de um só. Se as vendas estiveram ruins num determinado lugar, podemos evacuar a produção para outros”, ressalta Maria Eduarda.

comercio-exterior2.jpgAs exportações foram fundamentais para que a D’accord Music Software, empresa do pólo de Tecnologia da Informação de Pernambuco, pudesse se capitalizar para novos investimentos. “Em 2003, passamos a contar com a receita de exportação para investir em novos produtos. Foi essencial para a empresa conseguir manter o seu fôlego”, recorda Américo Amorim, diretor-executivo. Hoje, 50% da receita da D’accord vem de fora do Brasil.
A empresa exporta para 65 países. A maior parte das vendas é feita pela Internet, ou com editora internacional que faz a publicação de CD e o distribui em lojas, como acontece na Austrália.

O primeiro produto da D’accord comercializado fora das nossas fronteiras foi um software de dicionário de música. Amorim lembra que, quando iniciou os novos negócios, quase nenhuma instituição sabia informar como receber
ordem de pagamento. “Mas a maior dificuldade para ter sucesso lá fora é encontrar um produto que tenha demanda e estabelecer um canal de vendas”.

A empresa que supera esses desafios só tem a ganhar. A começar pela imagem positiva que conquista no mercado, uma vez que ninguém consegue vender um produto ruim para consumidores mais exigentes. Outra é a isenção de tributos nessa comercialização. Há ainda a aprendizagem com a nova experiência, pois o exportador precisa de um controle eficaz de custo e se insere num processo de melhoria contínua para se manter competitivo.


O que faz cada integrante da rede:

Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper): a agência mantém a Sala de Exportação, um espaço de divulgação dos diversos serviços e ferramentas de apoio disponíveis para exportação A assessoria oferecida ajuda na identificação de mercados com os maiores potenciais compradores para os produtos pernambucanos e na definição de estratégias de acesso aos mercados prospectados, organização ou apoio às missões comerciais, às rodadas de negócios e participação nas feiras. O órgão também fornece
treinamentos, seminários e workshops.

Associação Comercial de Pernambuco (ACP): Entidade de classe interlocutora junto a autoridades públicas e outras privadas. A ACP cedeu o térreo da sua sede para a Rede ExportaPE.

Companheiros das Américas: Sociedade civil que atua em questões de comunidade, educação, desenvolvimento e reforma legal que afetam as Américas. Entre os diversos programas oferecidos estão o American Business Fellows, um programa de intercâmbio que enfoca o setor empresarial e trata de temas ligados ao desenvolvimento econômico, expansão dos negócios e criação de novos empregos. Os profissionais das empresas terão oportunidade de estagiar em uma organização patrocinadora. O objetivo é promover a expansão empresarial na América Latina e no Caribe e fortalecer os vínculos nos setores privados dos Estados Unidos e países vizinhos.

ONG Visão Mundial: tem uma rede de comércio solidário. Entre os seus programas e projetos está o de desenvolvimento econômico que tem por objetivo a geração de emprego e renda e a abertura de novas oportunidades para microempreendimentos formais e informais.

RedeAgentes (Secex/MDIC):
O projeto Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, tem o papel de estimular a inserção das empresas de pequeno porte no mercado externo. Além de prestar informações, a Rede realiza capacitação, encontros para discutir o tema exportação, bem como realiza nos estados ações de articulação institucional e setorial que favoreçam a exportação.

CIN-Fiepe: O Centro Internacional de Negócios da Fiepe é um espaço estruturado que está ligado nacional e internacionalmente a várias entidades que atuam com exportação. O CIN disponibiliza fontes de informação especializadas em dados mercadológicos e tarifas de diferentes países; articula-se com entidades como Senai e Sebrae para realização de treinamento; dá consultorias às empresas; divulga e estimula a participação de empresas e entidades em eventos nacionais e internacionais; e identifica fontes internacionais que forneçam formação técnica profissionalizante, transmissão de tecnologia, métodos de produção, comercialização e participação em feiras para fechar acordos internacionais com elas. Além disso, o CIN é a única entidade que emite o certificado de origem, que atesta a procedência das mercadorias do Brasil – importante para que a empresa exportadora possa se beneficiar de acordos de livre comércio.

Sebrae/PE: O Sebrae é uma entidade de apoio às micro e pequenas empresas, oferecendo consultoria, fornecendo informações, elaborando estudos, realizando cursos de capacitação, promovendo encontros diversos e articulando ações conjuntas com agentes de desenvolvimento. A entidade está oferecendo orientações para o uso de ferramentas de mercado internacional, como cadastros que contêm dados sobre potenciais compradores. Essas ferramentas incluem o BrasilTtradeNet, TradeMap, Product Map, Market Access Map e o Kompass. Além disso, o Sebrae está retomando os cursos de capacitação para a área de comércio exterior.

Banco do Brasil: entre as diversas ações de apoio à exportação, o banco disponibiliza a contratação on-line de câmbio de exportação, de financiamentos, a assinatura digital em contratos de câmbio e o balcão de comércio exterior, com fornecimento de informações para as empresas. Pelo canal de auto-atendimento eletrônico Gerenciador Financeiro, a empresa exportadora pode consultar os documentos exigidos para exportação, contrato de câmbio, número do courier, carta de remessa enviada ao banqueiro e gerenciar os pagamentos do exterior. Este ano, o banco lançou o Borderô Eletrônico para remessas de exportação (documento que reúne todas as informações e instruções necessárias para que o Banco remeta ao exterior todos os documentos referentes a uma venda externa, em qualquer modalidade de pagamento).

Banco do Nordeste:
o banco busca se aproximar dos pólos produtivos com potencial de exportação, participa nas comissões de comércio exterior ou entidades da mesma natureza, apóia os encontros de comércio exterior do governo federal, mantém parceria com a Rede Brasil de Tecnologia para promoção do desenvolvimento tecnológico, tem parceria com o INMETRO para dar suporte aos empresários nordestinos sobre Barreiras Técnicas e realiza capacitação e treinamento continuados de agentes de comércio exterior (participação em eventos, especialização). Além disso, oferece linhas de crédito para as empresas de produção e comercialização para exportação. A instituição tem produtos de comércio exterior (AcC - Adiantamento de Contrato de Câmbio; ACE - Adiantamento de Cambiais Entregues; Trava de Câmbio e Cartas de crédito) e serviços (Transferências financeiras do exterior; câmbio de exportação pronto; cobrança de Exportação; e cobrança de Importação)

Amcham - Recife:
promove eventos internacionais e locais.

Delegação Holandesa: papel de promover as relações comerciais e econômicas dos países baixos com o Brasil, para internacionalização das micro, pequenas e médias empresas.

Correios:
a empresa oferece uma gama de serviços, como o envio de documentos e mercadorias, bem como rastreamento e dados de tarifas internacionais. Entre as ferramentas para envio de documentos e mercadorias, há o Sedex Mundi, para quem tem urgência na entrega. A rede de distribuição, neste caso, envolve mais de 215 países. Os Correios contam ainda com o programa Exporta Fácil. Por meio dele, o exportador contrata a logística postal da mercadoria até o País de destino e os Correios resolve o registro da operação no Sistema de Comércio Exterior da Receita Federal.

1 Comentário para “Um empurrãozinho nas pequenas empresas”

  • JOSE ALBERES DE FARIAS Quarta-feira, 19 de Março de 2008

    Oi!
    Somos uma empresa familiar no interior de Pernambuco,chamada DOCES PRAEIRA IND E COM. e estamos estudando a possibilidade de exportar nossos produtos para o mercosul,e quem sabe para EUA e America central,soq ue nao temos a minima ideia de como proceder em relacao a isso! Somos uma empresa de pequeno porte. Queria que nos ajudasse a dar-nos informacoes a respeito disso e como fazer? ou a quem procurar?

    obrigado

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