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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008 Fevereiro/Março 2008, Exportação 2 Comentários

Etiene Ramos
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Há cinco anos a empresa ocupa o topo do ranking brasileiro nas vendas externas de pescados

Há 18 anos, na colônia de pescadores de Brasília Teimosa, no Recife, uma peixaria ousou, a partir da adoção do nome do rei dos mares, buscar a liderança no emergente mercado de pescados. Em menos de duas décadas, a Netuno conquistou o público nacional e, há cinco anos consecutivos, é a maior exportadora de pescados do Brasil. A produção anual atinge 35 mil toneladas de 140 variedades, com destaque para a lagosta, o camarão e a tilápia. As exportações representam 40% das vendas da empresa, a maior parte para os Estados Unidos, chegando também à Europa, China, Japão, Chile e Canadá.

A conquista do mercado internacional era uma meta da empresa desde sua fundação pelos sócios Hugo Bahamondes, Sérgio e Alexandre Colaferri que, em 2006, ganharam mais um aliado de peso: a BNDES Participações S.A. (BNDESPar), empresa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com um aporte de R$ 60 milhões, o Banco detém hoje 33% do capital, enquanto o restante é dividido por igual pelos demais sócios. A permanência do BNDESPar continua por mais três anos quando a empresa fará seu IPO (oferta inicial de ações) na Bolsa de Valores. “Sempre olhamos o potencial da demanda por pescados esperando crescer”, diz o diretor-presidente da Netuno, Sérgio Colaferri.

Com 12 mil funcionários e 400 barcos pesqueiros, a Netuno faturou R$ 250 milhões em 2007. A empresa trabalha com captura e pesca, mas vem investindo fortemente na aqüicultura, apostando que o Brasil é um dos países com maior potencial para o cultivo de pescados. “Se usarmos 1% dos reservatórios de águas públicas, das barragens de hidrelétricas do país, dá pra produzir 80 milhões de toneladas de pescados”, diz o diretor de Novos Projetos da Netuno, Alexandre Castro.

Nesse cenário foi lançado o Projeto Tilápia, que de 2005 a 2007 já recebeu R$ 10 milhões de investimentos e até 2010 atingirá os R$ 15 milhões. A produção é concentrada no rio São Francisco, envolvendo a Netuno e cerca de 300 pescadores integrados reunidos em associações em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, que produzem a tilápia nilótica, originária da região do rio Nilo e que foi trazida para o Nordeste na década de 50 pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs). Os pequenos produtores recebem assistência técnica e ração subsidiada pela Netuno, que firmou parceria com a indústria de rações Purina. A estratégia de produção integrada, segundo Castro, tem um enorme impacto social e vem mudando a vida dos pescadores que, de acordo com o Ipea, têm uma renda média de R$ 232,00 mas chegam a ganhar R$ 700,00 com novo modelo de produção.

Em menos de duas décadas, a Netuno conquistou o público nacionale, há cinco anos consecutivos, é a maior exportadora de pescados do Brasil

As tilápias são distribuídas nos Estados Unidos e na Europa, além do mercado interno que tem os Estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo como principais consumidores. “A tilápia é hoje o foco da Netuno e poderá se tornar nosso principal produto, desbancando a lagosta e o camarão”, revela Alexandre Castro. Em 2007 foram processadas 4.500 toneladas do peixe que hoje já é o segundo mais vendido pela Netuno, atrás apenas da merluza. Em 2008 a produção deve chegar a 10 mil toneladas e a 25 mil em 2009. A meta da Netuno é tornar-se o maior produtor de tilápia das Américas, e, em 2010, elevar seu atual volume de exportações em 30%, alcançando um faturamento de R$ 500 milhões.

A previsão baseia-se num aumento do investimento em produtos de maior valor agregado destinados ao varejo e a food services, hotéis e restaurantes, além da ampliação das lojas Empório Netuno, que receberam investimento de R$ 1,2 milhão nas unidades do Shopping Center Recife e na recém-inaugurada unidade do Shopping Plaza Casa Forte, no Recife, em dezembro de 2007.

Envolvendo produção, beneficiamento e comercialização nos mercados interno e externo, a Netuno desenvolve uma logística de exportação com ritmo sazonal. A gestão fica a cargo da Central de Distribuição do Curado, no Recife, que funciona 24 horas. A distribuição usa os modais aéreo, marítimo e rodoviário, este último no mercado interno, que envolve 15 estados, com centrais também na Bahia, Ceará e São Paulo e uma base menor no Maranhão.

2 Comentários para “Netuno - De pequena peixaria a líder na exportação de pescados”

  • Mônica Monteiro Sexta-feira, 7 de Março de 2008

    Parabens por esta conquista e por outras que estão por vir. A Netuno faz juz ao esforço, coragem, dedicação ,experiência e otimismo do presidente Sèrgio Colaferri e os demais Sócios da empresa. Um forte Abraço!!!

  • Luiz Eduardo Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

    O que é preciso para vender meus peixes para vocês?
    Tilápias e camarôes de água doce…

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