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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008 Transportes, Fevereiro/Março Sem Comentários

Por: Inês Andrade
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Fluxo de trabalhadores em Suape vai exigir o redimensionamento do setor de transportes no entorno do complexo

A construção de grandes empreendimentos no Complexo Industrial e Portuário de Suape, como a Refinaria Abreu e Lima e o Estaleiro Atlântico Sul, exigiu dessas empresas a contratação de ônibus para transportar os funcionários. Até o final de 2008, haverá cerca de 1.700 trabalhadores nas áreas industriais e administrativas do estaleiro, passando para 3.200 até o final de 2009. Na Refinaria, surgirão até 20 mil vagas na construção e 1.500 na operação. Mas haverá uma circulação ainda maior de pessoas, somados todos os investimentos previstos para Suape, incluindo o do pólo de poliéster e sua rede de fornecedores. O governo do Estado e a iniciativa privada não têm ainda a dimensão da demanda futura para o transporte, mas executam e planejam a expansão da rede para as cidades do entorno, sobretudo Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho.

Hoje, esses dois municípios são atendidos por dez linhas de ônibus geridas pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), com 93 veículos realizando 906 viagens nos dias úteis e finais de semana. Entre elas, estão as linhas para circulação interna e aquelas que fazem o percurso até o Recife.

Até o Porto de Suape, há somente uma linha gerida pela EMTU, que parte do Cabo de Santo Agostinho, servida por oito veículos que fazem 25 viagens nos dias úteis. Nos finais de semana, são quatro carros realizando 16 viagens. Somente essa linha transporta 600 pessoas diariamente. Todos os demais percursos atendem, nos dias úteis, a 61.599 passageiros. Nos sábados, são 47.082 e, nos domingos, 52.743 pessoas. De acordo com José Faustino, empresário da São Judas e diretor-técnico do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Setrans-PE), a São Judas e a Cruzeiro são as únicas empresas que fazem as linhas da EMTU até o Complexo Industrial e Portuário de Suape, mas somente esta última leva os passageiros até o porto.

Quem usa mais as linhas da São Judas, conta Faustino, são os moradores e trabalhadores da região. Mas os funcionários dos empreendimentos estruturadores são transportados por ônibus fretados pelas empresas. Faustino conta que normalmente são usados veículos de firmas de turismo. “Vamos expandir os serviços de ônibus à medida que a demanda crescer. Não há planos de usar qualquer linha da EMTU nem outra regular. Hoje também não as usamos”, respondeu o Estaleiro, por meio da assessoria de imprensa.

Ricardo Barreto, coordenador de Implantação da Refinaria, explica que as empreiteiras responsáveis pelas obras é que cuidam de contratar transporte para os operários da Refinaria. A Petrobras não cuida da questão. “Na fase de operação, a Petrobras deverá contratar uma empresa de transporte para fazer esse serviço”. Mas Barreto conta que os trabalhadores seriam deixados num ponto central, como Jaboatão, por exemplo, e não necessariamente nas suas residências. Neste caso, as linhas da EMTU e metrô seriam usadas.

José Faustino acrescenta que essa iniciativa é normal em áreas onde há picos concentrados de produção. “Numa área industrial em desenvolvimento, as megaoperações fazem opções pelo fretamento, que sempre existirá”.

Mas o governo do Estado, em parceria com prefeituras e o governo Federal, está desenvolvendo um plano de transporte para a região de Suape. A idéia é concluir toda a extensão da Linha Sul do Metrô do Recife (Metrorec), ligando o bairro de Cajueiro Seco (em Jaboatão dos Guararapes) até o terminal integrado do Cabo de Santo Agostinho, usando veículos leves sobre trilhos (VLTs). Haverá também deslocamento por ônibus. Dilson Peixoto, presidente da EMTU, acrescenta que o Estado está negociando com o governo Federal um ramal do VLT de Cajueiro Seco a Suape. Seria uma derivação partindo de Ponte dos Carvalhos (no Cabo) para Suape.

Peixoto conta que haverá uma malha que permitirá ao conjunto de moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR) ter acesso a Suape pelo Sistema Estrutural Integrado (SEI), que consiste numa rede de transporte composta por linhas de ônibus e metrô, interligadas através de terminais.

“Quem mora em Igarassu vai entrar no terminal do município, pagar a tarifa de R$ 2,40 anel B vai até Joana Bezerra (Recife), onde faz a baldeação no metrô sem pagar a mais, segue até Cajueiro Seco, onde toma o VLT”, exemplifica Peixoto.

A idéia é pagar somente uma tarifa por sentido. Outro exemplo citado pelo presidente da EMTU é para o trabalhador que mora em São Lourenço. Neste caso, ele tomaria um ônibus pagando R$ 1,60 e desceria no terminal integrado de Camaragibe, onde seguiria de metrô até Cajueiro Seco e depois de VLT até Suape.

“Queremos permitir que toda a população da Região Metropolitana seja beneficiada pelos empregos que serão gerados em Suape”. Peixoto aponta para duas vantagens oferecidas por esse sistema de transporte. Uma delas é garantir condições de disputa em igualdade para os trabalhadores do Grande Recife que competirem por uma vaga de emprego em Suape. “E minimizar o impacto da favelização no entorno de Suape”. Pernambuco quer evitar o que aconteceu no pólo petroquímico de Camaçari (BA), que gerou um conglomerado de favelas pela falta de um planejamento da mobilidade local.

O governo do Estado está negociando com o governo Federal um ramal do VLT (veículos leves sobre trilhos) de Cajueiro Seco (em Jaboatão dos Guararapes) a Suape. Seria uma derivação partindo de Ponte dos Carvalhos (no Cabo) para Suape

O processo de licitação do terminal do Cabo começou no final de novembro. A expectativa, diz Peixoto, é concluí-lo no início de 2008 e iniciar as obras em seguida, que devem durar um ano. A licitação para compra dos VLTs já foi lançada pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A perspectiva é que o VLT esteja em condições de ser operado em 2009. O metrô até Cajueiro Seco deverá estar funcionando até junho de 2008. O ramal do VLT de Cajueiro Seco até Suape, por sua vez, ainda é objeto de negociação. “A discussão está avançada. A linha já existe. É a mesma da rede de cargas. É só o governo Federal decidir a compra dos trens e a construção das estações no percurso entre Cajueiro Seco e Suape”. Essa decisão também mexe com os projetos dos grandes investidores de Suape. Ainda segundo informações repassadas pela assessoria de imprensa do Estaleiro Atlântico Sul, a empresa não tem planos de usar as linhas da EMTU ou qualquer outra regular, mas essa logística pode mudar se sair o projeto do VLT.

“Estamos pensando também numa rede de ônibus”, informou Dilson Peixoto. Mas essa rede dependerá do ramal do VLT até Suape. Os ônibus passariam pelo terminal de passageiros de Ponte dos Carvalhos. “Se não tiver o VLT, terei de montar uma rede de ônibus do Cabo até Suape. Essa é outra alternativa, temos de aguardar a decisão do governo Federal”.

Quem também espera pelo plano de transporte que está sendo traçado são os empresários de ônibus. A partir dele é que poderão definir os seus investimentos. “O estudo final estabelecerá as necessidades de atendimento do sistema estrutural integrado”, coloca José Faustino. A expectativa é que ocorra um crescimento de 100% na oferta de transporte para a região. “Suape modificará o perfil sócio-urbanístico da região, gerando uma gama de serviços à sociedade que também necessitará de deslocamento”, acrescenta o diretor do Setrans.

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