
Empresa aposta num projeto inusitado de responsabilidade social, com proposta de melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município, que era considerado o pior da Região Metropolitana do Recife
Focado em ações de saúde, educação e geração de renda, o projeto Mais Vida - uma iniciativa de responsabilidade social da
Unilever, no município de Araçoiaba (a 67 quilômetros do Recife), está reescrevendo os números da jovem cidade. Emancipada em 1995 da histórica Igarassu, em 2005 Araçoiaba acumulava indicadores nefastos. Segundo levantamento da consultoria pernambucana Datamétrica, dos 17 mil habitantes do município, três mil eram analfabetos, 1,2 mil crianças estavam fora da escola, havia apenas um médico para 4 mil habitantes e um registro de 44 óbitos por mil nascimentos.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - indicador que avalia a qualidade de vida de uma região – era de 0,637, bem abaixo da média pernambucana, de 0,705. Mas, diferentemente de tantas outras cidades pobres do Estado, Araçoiaba fica na Região Metropolitana do Recife - fator decisivo para a logística do projeto que recebeu, a partir de 2005, um investimento de R$ 4 milhões do Instituto Unilever, sem contar os recursos de importantes parcerias.
A principal delas é a da própria população. Quase 500 moradores são voluntários capacitados para atuar como “Agentes Mais Vida”
na alfabetização de adultos e no incentivo aos cuidados com a saúde. De casa em casa, eles levam os livros e o material, exclusivos do projeto, para ensinar vizinhos e familiares a ler, a escrever e a adotar cuidados como os que resultam, em apenas dois anos, na redução em 79% da mortalidade infantil no município e na alfabetização de 947 pessoas.
A gerente de Responsabilidade Social da Unilever, Elaine Molina, diz que a empresa investiu em Araçoiaba visando a sustentabilidade social e a melhoria do seu IDH e está disposta a compartilhar a experiência com outras empresas, ONGs e governos que queiram adotá-la. “Temos que olhar a base da pirâmide de quatro bilhões de pobres do mundo, para crescermos. Uma forma é aumentar a capacidade de compra. Nessa linha está o projeto Mais Vida que, indiretamente, está aumentando o poder de consumo da população. Parece, mas não é um produto descolado da Unilever. Tem tudo a ver com o negócio”, explica.
O pilar de geração de renda é um dos que caminha com mais agilidade no projeto. Um diagnóstico do comércio local, realizado em parceria com o Sebrae, identificou, entre três mil pessoas, 500 com o perfil empreendedor. Desse total, 280 participaram de oficinas que deram impulso à primeira Feira do Empreendedor do município na qual a venda de roupas e alimentos como pipoca e cachorro-quente, movimentou R$ 4.800,00. Para os mais jovens, foi criado o projeto Jovem Artesão que já formou 36 alunos, 25 deles se preparam para criar uma cooperativa a fim de produzir, em maior escala, um tipo de papel reciclado bastante procurado por artistas plásticos do Recife e que vai garantir os primeiros rendimentos.
Na área rural, os pequenos produtores são incentivados a plantar urucum, a semente utilizada para fazer o colorau, tempero popular no Nordeste. O que era apenas uma alternativa identificada em pesquisa do Sebrae para a praga do caramujo que atacou a lavoura, está abrindo novas perspectivas de mercado. A dinamarquesa Chr. Hansen, uma das maiores fornecedoras mundiais de ingredientes para alimentos, inclusive para a Unilever, tornou-se parceira do Mais Vida, doou sementes para o plantio de cem hectares de uma espécie mais produtiva de urucum (a piave), e vai comprar toda a produção.
A geração de renda é um dos pilares do Projeto Mais Vida. A idéia é promover atividades que garantam recursos à população
Daqui a um ano será colhida a primeira safra, de 50 toneladas de sementes que, ao preço atual de R$ 3,50 por quilo, já renderia R$ 175 mil para o grupo de 42 produtores envolvidos no projeto. A rentabilidade por hectare, segundo o engenheiro agrônomo do Mais Vida, Fábio Pessoa, é de R$ 1,2 mil, na primeira colheita, podendo chegar a R$ 2,5 mil na quarta, contra R$ 500,00 da cana-de-açúcar, cultura tradicional da região, mas de baixo valor comercial.
Se cada produtor plantar dois hectares de urucum, a renda média mensal deverá saltar dos atuais R$ 500,00 para R$ 800,00 no quarto ano de produção. Um bom resultado para uma parcela de moradores de uma cidade onde a renda per capita era de R$ 88,32 e havia apenas 298 empregos formais, praticamente todos ligados à prefeitura.
Edson Antônio Terça-feira, 3 de Junho de 2008
É bom saber que existe empresas voltadas com a responsabilide social, e vejo como exemplo a Unilever que fez esse município aparecer no mapa, isso comprovo devido alguns destaque em que a empresa junto com a população veio a trabalhar para seu crescimento, e parabenizo a todos pelo o trabalho em conjunto, que se dar resultados, é isso aí!