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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007 Novembro/Dezembro - 2007, Especial Sem Comentários

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Prestes a completar 90 anos, em 2008, o porto da capital vai receber investimentos de R$ 40 milhões para reestruturar sua operação e recobrar posição no cenário portuário nacional.

Quando o vapor São Paulo, do Lóide Brasileiro, atracou no novo cais de cabotagem, no dia 12 de setembro de 1918, começava, oficialmente, a história do empreendimento que mudou a configuração econômica do Recife e de Pernambuco. O Porto do Recife já nasceu com a vocação de ser um porto comercial. Tendo como propulsora do seu desenvolvimento a próspera indústria açucareira pernambucana, e localizado estrategicamente entre o Recife e Olinda, o porto foi alvo de disputas entre os colonizadores. Passado um período de decadência, o Porto do Recife quer, agora, voltar a figurar como um dos personagens principais no desenvolvimento da economia do Estado. Para marcar os 90 anos da inauguração, em setembro de 2008, o Porto do Recife promete, mais uma vez, ser o centro das atenções da cidade, a partir de um plano de revitalização e de novos projetos que estão atracando nos próximos meses.

Dentro das novas diretrizes para mudar os rumos do Porto do Recife, está o projeto de dragagem. Ao todo, serão retirados dois milhões de metros cúbicos de sedimentos, ampliando o calado de cerca de nove para 11,5 metros, passando a atender navios de até 50 mil TPB (Tonelada de Porte Bruto). Com a dragagem, a expectativa da Administração do Porto do Recife é que, até 2009, o volume de movimentação de cargas cresça 50% em relação ao ano passado. Em 2006, foram movimentadas pelo porto 2,297 milhões de toneladas de cargas. Em 2007, esse número deverá ter um incremento de 10%.

Segundo o presidente do Porto do Recife, Alexandre Catão, esse aumento de 10% do volume de cargas já é resultado da expectativa causada pelas obras de dragagem. “Esse incremento se deve à nova gestão implementada na área comercial e à perspectiva do aumento do calado (profundidade)”, relaciona.

As obras estão orçadas em cerca de R$ 21 milhões. Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o projeto já foi habilitado pela Secretaria Especial de Portos. De acordo com Catão, o edital foi lançado em outubro e as obras devem ser iniciadas no início de 2008. “A limitação do calado era, sem dúvida, o grande entrave para o desenvolvimento do porto. Agora, com essas obras, ele vai se tornar mais atrativo e competitivo, porque temos, também, a melhor infra-estrutura de porto comercial da Região”, vislumbra.

Ele calcula que as obras de dragagem devem ser concluídas num prazo de seis meses. Com isso, não só o número, mas a variedade de cargas deve aumentar. Atualmente, os principais produtos movimentados no porto são açúcar, milho, trigo, fertilizantes, malte, clínquer e coque de petróleo. Após a dragagem, o presidente do Porto estima que a movimentação desses três últimos produtos deverá crescer em 15%. Já o faturamento do Porto não deve acompanhar a mesma proporção. A previsão é que o caixa deste ano apresente um incremento de 10% em relação ao ano anterior, quando o porto faturou cerca de R$ 20 milhões.

Para Alexandre Catão, o que está sendo feito é um trabalho de soerguimento do Porto do Recife que, segundo ele, estava em plena decadência. “O porto estava com uma demanda reprimida em função das diretrizes do governo anterior que queria fechá-lo. Em sete meses, conseguimos dar vazão a essa demanda e engatar novos projetos”, afirma. Segundo ele, no final do ano passado, o Porto ocupava a 19ª posição no ranking dos portos nacionais. Com a dragagem e os projetos de revitalização, Catão acredita que será possível saltar para a 12ª posição. Além do aumento na movimentação de cargas, o presidente do Porto do Recife ressalta que a dragagem vai permitir a redução de até 30% no custo do frete das cargas movimentadas.

A infra-estrutura interna do Porto do Recife também será melhorada. Serão investidos R$ 12 milhões na recuperação do modal rodoviário e das instalações, como armazéns e muros.

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Ação integrada

O discurso corrente em Pernambuco era o de que, com o desenvolvimento do Porto de Suape, a 57 quilômetros da Capital, o Porto do Recife perderia força no cenário econômico do Estado. Hoje, essa mentalidade está mudando. Os dois portos estão sendo vistos de forma estratégica: ao invés de operações isoladas e concorrentes, ações integradas e complementares.

Isso é possível porque os portos possuem perfis distintos, portanto, um não pode extinguir a presença do outro. “Suape tem as diretrizes dele e a principal meta é atrair projetos estruturadores que dêem impacto à economia do Estado. O Porto do Recife é comercial e passa a ter um papel importante de complementar as operações, atendendo a uma diversidade de cargas”, explica Alexandre Catão.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidente do Porto de Suape, Fernando Bezerra Coelho, aprova a ação integrada entre os dois portos, acrescentando que essa estratégia aumenta a competitividade do Estado no mercado portuário. “Cada uma das unidades portuárias tem suas características próprias. Daí a possibilidade de integração. Veja um exemplo bem claro disso: Suape deve ganhar nos próximos anos um Terminal de Açúcar. Sendo que o produto que será movimentado em Suape é de um tipo diferente do que existe no Porto do Recife. O de Suape é o açúcar refinado branco, tipo que está crescendo a demanda no mercado mundial. No Recife, continuarão a ser exportados o açúcar refinado e o açúcar demerara, em sacos. Não é viável para as empresas que utilizam o Recife passar a movimentar essas cargas por Suape. Ou seja, é mais produtivo para Pernambuco que Suape esteja direcionado para atrair os grandes investimentos, enquanto o Recife tem mais o caráter de um porto comercial”, complementa.

A operacionalidade dos dois portos também se distingue. Enquanto o Recife recebe navios de 25 mil TPB e poderá chegar a 50 mil TPB, após a dragagem, Suape opera com navios de até 80 mil TPB. “As empresas que hoje utilizam os serviços do Porto do Recife, de açúcar, trigo, milho, cevada, não possuem demanda para isso. Seria muito oneroso para elas se servirem de Suape para as suas movimentações”, justifica Fernando Bezerra Coelho.

Novos investimentos

Atraídas pela perspectiva da dragagem e da recuperação da infra-estrutura portuária, empresas privadas estão acenando com novos investimentos no Porto do Recife. Os grupos Votorantim e João Santos estudam a implantação de um terminal de clínquer na área do pátio três do porto. As empresas já apresentaram suas cartas de intenções e estão fazendo o estudo de viabilidade do investimento. De acordo com o presidente do Porto do Recife, Alexandre Catão, o grupo Votorantim pretende injetar R$ 15 milhões no terminal, movimentando cerca de 400 mil toneladas da matéria-prima ao ano. Já o grupo João Santos sinalizou que vai investir cerca de R$ 10 milhões para a movimentação de 300 mil toneladas de clínquer ao ano.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente do Porto do Suape, Fernando Bezerra Coelho, é um dos entusiastas para que as empresas escolham o Porto do Recife para instalar o terminal para a matéria-prima do cimento. “O raio de ação para a movimentação desse tipo de carga é de cerca de 100 quilômetros e essas empresas estão localizadas ao Norte do Estado. Seria muito mais caro para elas levar o carregamento até Suape”, pontua.

A Administração do Porto do Recife também está alterando o zoneamento portuário, demandando áreas específicas para cada tipo de carga. Dentro dessa nova formatação, estão sendo regularizados os contratos operacionais dos terminais de cereais e coque de petróleo, que deverá ser ampliado. “Vamos lançar o edital de licitação para o terminal de coque que vai atender a todo o porto. Queremos passar das atuais 80 mil toneladas de carga movimentada, ao ano, para 300 mil”, adianta Catão.

Comentários para “PORTO DO RECIFE COMEÇA A ESCREVER UMA NOVA HISTÓRIA”

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