“O Porto do Recife, além de sua importância histórica, tem por vocação natural ser um entreposto comercial e um centro de logística estrategicamente posicionado no contexto global. Pernambuco conta com os portos de Recife e Suape, para impulsionar nossa economia, gerando trabalho, renda e oportunidades de negócio para milhares de pernambucanos. A viabilização da dragagem, que o Porto espera há mais de 20 anos, além da redução em 28% dos custos operacionais, são exemplos do trabalho direcionado para devolver ao Porto do Recife sua importância estratégica no cotidiano do povo pernambucano”. Eduardo Campos - Governador de Pernambuco
“O Governo do Estado trabalha forte para reverter a tendência de fechamento que se transformou na realidade do Porto do Recife nos últimos anos. O porto da capital trabalha com uma demanda de cargas diferenciada, em relação a Suape. São outras potencialidades, como, por exemplo, o Terminal de Passageiros e a movimentação de cimento, clínquer. O Porto do Recife possui a melhor infra-estrutura portuária entre os portos de capitais do Nordeste. E a tendência é que essa diferença se faça ainda maior agora que o Porto do Recife foi incluído na lista de obras do PAC”. Fernando Bezerra Coelho - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco
“A história da cidade tem muito a ver com o Porto do Recife. Pela beleza, pelo seu patrimônio, pela importância econômica, pelo intercâmbio com outras nações, pelo turismo. Essa área do Recife Antigo é prioritária para nós. Em parceria com o Governo do Estado vamos elaborar um projeto mais estruturador para o Porto do Recife”. João Paulo - Prefeito do Recife
“O Porto do Recife tem uma função estratégica para a economia de Pernambuco, como alavancador de divisas internacionais. Seu papel é imprescindível no comércio internacional de commodities, atuando de forma contínua há mais de 60 anos. O Porto está procurando se reposicionar, conciliando uma dragagem eficiente com uma armazenagem e um novo zoneamento, além de uma área para turismo”. Renato Cunha - Presidente do Sindaçúcar
“ O Porto do Recife tem um perfil diferenciado e característico. Hoje, ele complementa algumas tendências que Suape não está perseguindo. O projeto turístico torna o porto mais atrativo para a população. A nossa empresa está investindo no estaleiro Atlântico Sul, em Suape, mas o Porto do Recife tem uma importância nisso, pois poderá ter uma movimentação de cargas destinadas ao estaleiro”. Marco Antônio Costa - superintendente da Camargo Corrêa
“Quando falamos em desenvolvimento econômico e social, esse porto tem um papel fundamental para a capital e para Pernambuco como alavancador da economia da capital e gerador de ofertas de empregos”. Severino Francisco - Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Portuários
“A dragagem do Porto do Recife é extremamente importante para a atracação de navios de maior porte que trarão quantitativo maior de cargas. Isso vai baratear o frete marítimo deste Porto que já foi o terceiro maior do Brasil em cargas e ainda é o maior em tamanho (dois quilômetros de cargas acostadas). É importante para Pernambuco ter dois portos, cada um com sua vocação e onde um complementa o outro”. Ricardo Von Sohsten - presidente do Sindope e representante do CAP Recife
“Hoje, quase 90% das nossas operações são pelo Porto do Recife, que no comparativo com Suape, realiza quase todos os tipos de operações existentes, nas exportações e importações. O terminal de granéis da Rhodes, no Porto do Recife, atende as cervejarias do Nordeste”. Marcos Siqueira - gerente da Rhodes, Recife
“A Associação Comercial se considera mãe do Porto do Recife, porque ele nasceu dentro da ACP. Antes de existir o porto, quando Pernambuco era o Estado mais importante do Brasil, os navios ancoravam na barra e a ACP registrava a chegada e a saída dos navios e controlava a importação e exportação de bens e de pessoas. A Associação lutou pela construção do Porto e durante toda a sua vida esteve ligada a ele” . Celso Muniz - presidente da ACP
“Apesar de hoje enfrentar graves problemas de infra-estrutura e uma concorrência “caseira” do Porto de Suape, o Porto do Recife tem uma enorme importância para a economia pernambucana, no que tange às exportações de açúcar a granel e uma grande parcela de açúcar em sacas, além das expostações de cimento e importação de petcoke”. Hélio Vaisman - gerente da filial Recife da Wilson Sons
“A localização e as facilidades portuárias ofertadas pelo Porto do Recife foram de fundamental importância para a Petro Energia se estabelecer e consolidar as suas atividades. Hoje gera renda, e cerca de cinco mil empregos para agentes de navegação, operadores portuários, trabalhadores avulsos, transportadores e outros fornecedores de serviços”. Alberto Reithler - gerente Geral da Petro Energia Ind. e Com. Ltda
“Em 1964, a rotina do Porto era dinâmica. Tinham muitos trabalhadores, era movimentação dia e noite. Virávamos a noite trabalhando. Os ônibus que vinham da cidade deixavam a gente dentro do Porto. Eram dezenas de caminhões de açúcar entrando e saindo toda hora. O prédio da administração era belíssimo, mas botaram abaixo nos anos 80” Isa Muniz Barbosa - funcionária mais antiga do Porto do Recife.
Em 15 julho de 2005, a comunidade portuária do Recife, foi confrontada com uma terrível notícia, estampada nos jornais da Cidade que dentro de dois anos o Porto do Recife seria desativado e suas operações portuárias transferidas para Suape.
O choque foi tremendo para empresários, trabalhadores portuários e profissionais autônomos. Um misto de surpresa e incredulidade envolveu o setor pela inesperada notícia e evidente insanidade que se revestia a decisão governamental. Todos eles conhecendo a infra-estrutura e equipamentos, dos quais o porto é dotado, sabiam da impossibilidade de, em prazo tão curto, construir-se em Suape, infra-estrutura adequada para movimentar a carga que seria deslocada para lá. Em meio a escassez de recursos financeiros, seria necessário investir R$ 500 milhões, a fundo perdido.
Após o choque inicial, muitos se quedaram na certeza do inevitável fim de um dos portos mais antigos das Américas e um dos mais importantes do País.
A maioria, dos que fazem a comunidade portuária de Pernambuco, entretanto reagiu à ameaça do insensato projeto, passando a coligir dados, realizar atos de protestos, preparar manifestos e enviá-los a parlamentares estaduais e federais, enfim, arregimentar forças para reagir e denunciar as autoridades federais a quem o porto, de propriedade da União e administrado pelo Estado de Pernambuco, é tecnicamente subordinado.
O então candidato ao Governo de Pernambuco, o atual Governador Eduardo Campos, em reunião com as lideranças dos trabalhadores portuários e dos empresários, das cadeias produtivas usuárias do porto, declarou que, caso viesse a ser eleito, não implantaria essa decisão, pois o Porto do Recife, poderia continuar a contribuir para o desenvolvimento econômico e social desta Região.
Eleito Governador do Estado, estabeleceu como missão da nova Diretoria, recuperar a infra-estrutura física do porto, modernizá-lo, organizacional e administrativamente, inovar na revitalização de áreas destinadas a atividades culturais, para o lazer da população e atração turística de visitantes, e dotá-lo de instalações funcionais e adequadas ao recebimento de navios de cruzeiro, para que o Porto volte a ser orgulho dos pernambucanos .
Assim, devem todos, que de alguma forma podem participar desse renascimento, ajudar a transformar uma ameaça em uma oportunidade de construir um Pernambuco mais forte. José Antonio Falcão da Rocha - Superintendente Administrativo Financeiro
Uma alternativa à construção de um novo terminal de passageiros no Porto do Recife está sendo apresentada pelo consultor em planejamento urbano, engenharia de trânsito e transportes, José de Britto. O engenheiro propõe a utilização do terminal já existente, ao invés da construção de uma nova edificação, através de uma manobra logística inspirada nos primórdios das operações portuárias do ancoradouro do Recife. “Pode ser feita a ancoragem do lado dos arrecifes, como era feito até o início do século XX”, sugere.
Britto pesquisou a história das operações, a área e a logística do Porto do Recife e concluiu que há viabilidade em se construir uma plataforma de atracação, com capacidade para dois transatlânticos, no lado da muralha de arrecifes, nas mediações do armazém 6. Ao desembarcarem nos arrecifes, os visitantes teriam o primeiro passeio pelo “portal da Cidade”, conhecendo o parque das esculturas do artista plástico Francisco Brennand.
A travessia até o atual terminal de passageiros, no antigo armazém 12, poderia ser feita por, ao menos, três balsas ou por um pontilhão com duas elevadiças ou dois giradouros, para permitir a passagem de pequenas e médias embarcações. “Os custos em relação ao projeto do novo terminal são equivalentes, mas os benefícios dessa opção são maiores, além de gerar uma economia do investimento público realizado há alguns anos”, ressalta.
O engenheiro estudou a relação custo-benefício da utilização do terminal existente adaptado ao seu projeto, considerando a viabilidade econômica da idéia. Para ele, essa proposta será capaz de revigorar as atividades comercial e turística do Bairro do Recife. Além da valorização do destino, sendo o primeiro passeio turístico pela porta de entrada da cidade, José de Britto destaca as opções de locomoção que o turista teria ao desembarcar no terminal do armazém 12.
“Ele chegaria no coração do Bairro do Recife, próximo ao shopping Paço Alfândega, e a centros de lazer e gastronomia. Então, poderia fazer uma caminhada, oxigenando o comércio porta a porta. Poderia haver um serviço de aluguel de bicicletas, para os que quisessem conhecer a área. Há a opção, ainda, de recuperar os trilhos já existentes nas ruas do Bairro e oferecer mais uma atração turística, que seria um bondinho entre a Praça do Arsenal e a Rua da Moeda. Além dessas, o turista teria, ainda, as opções por táxis, ônibus de turismo e transporte público”, enumera.
O projeto para aproveitamento do terminal do antigo armazém 12 prevê, ainda, a revitalização dos demais armazéns que estão desativados, que seriam transformados em edifício garagem, praça, área verde e blocos residenciais. A idéia ainda não foi formalmente apresentada à administração do Porto do Recife, mas José de Britto aposta que haverá tempo hábil para que essa opção se torne conhecida e amadurecida pelos gestores do local. “Os contatos com o Porto ainda estão embrionários. Após as primeiras divulgações do projeto, espero que eles comparem os custos e os benefícios dessa proposta. A administração do Porto precisa ter esse privilégio de contar com mais de uma opção”, afirma Britto.
Sem comentários até o momento. Comente.