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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007 Novembro/Dezembro - 2007, Comércio Exterior Sem Comentários

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Longas distâncias, pequena oferta de serviços marítimos e estradas precárias são alguns dos gargalos que afetam a atividade.

Há alguns anos, plantar frutas em pleno Sertão nordestino era considerado “coisa de louco”. Hoje em dia, a realidade mostra-se diferente. Atualmente, é considerada “coisa de louco” a logística necessária para escoar a produção local do vale do submédio São Francisco, região responsável por mais de 90% das exportações de uvas de mesas e mangas de todo o País. As longas distâncias a serem percorridas pelos caminhões carregados através de estradas em precário estado de conservação e a baixa oferta de serviços marítimos são fatores considerados limitadores da atividade.

“O vale vem passando por uma série de problemas. Neste ano, em função de problemas climáticos, os produtores concentraram a safra no segundo semestre. Além de dificuldades cambiais, existem gargalos logísticos que acabam na pouca oferta de escalas por parte dos armadores portuários”, diz Alberto Galvão, diretor da Valexport - associação que congrega os produtores e exportadores do vale do São Francisco.

De acordo com os dados da Valexport, a expectativa ao longo desse exercício é que a produção de frutas chegue a 245 mil toneladas de manga e 220 mil toneladas de uvas. No ano passado, esses volumes alcançaram cerca de 330 mil e 220 mil toneladas, respectivamente.

As metas para exportações são otimistas. Os produtores avaliam que será possível embarcar até 105 mil toneladas de mangas, patamar semelhante ao registrado em 2006, quando as vendas externas da fruta chegaram a 102 mil toneladas. As projeções sobem quando o assunto é exportação de uvas. A Valexport acredita que conseguirá embarcar até 65 mil toneladas, contra 58 mil toneladas ao longo de 2006.

A logística do vale é bem específica. Nada menos que 80% das uvas exportadas são enviadas para a Europa. Os Estados Unidos ficam com 15% do volume negociado, enquanto outros países respondem por apenas 5%. Nas mangas, 60% das cargas são embarcadas para a Europa, 30% para os Estados Unidos e 10% para outros países do globo. “Utilizamos basicamente o modal marítimo. Cerca de 96% das cargas saem pelos portos de Suape (PE), Pecém (CE) e Salvador (BA). Normalmente Suape sempre ficou atrás dos outros portos em relação às frutas. O problema estava nos custos altos e na baixa oferta de linhas. O custo foi minimizado, mas o problema da baixa oferta de escalas permanece”, diz Galvão.

O custo para o exportador no porto pernambucano foi minimizado em função de uma decisão do Governo do Estado. Por meio de uma elaborada composição, o valor chegou a cair até R$ 312,00. O modal aéreo, através do Aeroporto Internacional de Petrolina, responde por apenas 4% dos embarques internacionais. A região conta, hoje, com dois vôos semanais, sendo atendida por aeronaves 747-400, com capacidade de carga para 80 toneladas.

O presidente do Tecon Suape terminal privado de contêineres que opera no porto -, Sérgio Kano, diz que a questão das escalas marítimas é uma opção do armador. “O armador não monta uma escala por qualquer razão. Ele quer a certeza de que aquele negócio será rentável”, observa. Segundo o executivo, o Tecon Suape liderou as exportações de frutas originárias do vale do São Francisco em 2006. Mas ele ressalta que naquele período, a oferta de serviços e escalas de navegação que atendiam aos interesses dos exportadores de frutas chegava a ser 40% maior que a atual, muito embora esteja otimista quanto à performance desejada.

“O vale produz entre 8 mil e 10 mil contêineres de frutas para exportação. Já o Porto do Pecém, que tem um raio de influência pegando todo o Ceará e parte do Rio Grande do Norte, onde se produz muito melão, por exemplo, e onde se localizam grandes grupos produtores internacionais, deve embarcar cerca de 15 mil contêineres. Com mais cargas, os armadores concentram suas linhas e os produtores seguem o mesmo caminho aproveitando o aumento da freqüência de navios. Aqui precisamos aumentar os volumes para ganhar novas escalas”, analisa Kano.

Hoje, a administração do Complexo Industrial e Portuário de Suape está empenhada em atrair novas linhas e serviços, em especial com destino à Europa, para atender não apenas aos produtores de frutas, mas também aos exportadores pernambucanos de maneira geral.

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Uma outra boa perspectiva vem da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD/Diper). O diretor de Interiorização e Arranjos Produtivos, Sebastião Amorim, diz que a instituição está trabalhando para aproveitar as estruturas da Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex), do Governo Federal, para montar uma plataforma comercial que deverá impactar as exportações de frutas pelo Porto de Suape. “Estamos planejando implantar uma central de distribuição em Roterdã (Holanda), aproveitando a central de cargas secas da Apex naquele local. Pretendemos estar com um estudo pronto sobre o assunto até março de 2008”, afirma Amorim.

Segundo ele, cerca de 40% das mangas e uvas que saem do vale do São Francisco com destino a outros países têm origem em pequenas propriedades. “O objetivo é fortalecer esses pequenos produtores e aumentar o número de exportadores. Se conseguirmos isso, certamente teremos um aumento de volume que deverá resultar no crescimento da oferta de linhas e serviços disponibilizados pelos armadores”, comenta.

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