Principal ponto de atracação de investimentos de Pernambuco, o complexo se prepara para enfrentar o futuro na esteira de um novo ciclo de desenvolvimento
Por Paulo Emílio

O Complexo Industrial e Portuário de Suape (distante 54 quilômetros do Recife) é hoje um dos principais pontos de convergência de investimentos de toda a Região Nordeste. A implantação de grandes projetos industriais, como um estaleiro, uma refinaria e um pólo petroquímico, representam mais do que apenas a atração de empreendimentos industriais para a área de influência do complexo. São, na realidade, a coroação de um projeto que vem sendo perseguido há quase 30 anos pelo Estado de Pernambuco. Apesar das potenciais perspectivas, ainda há muito por fazer. Problemas como interligação modal, custos elevados, necessidade de melhorias de gestão e maiores aportes em infra-estrutura são, agora, ainda mais urgentes. Neste aspecto, Suape começa a se preparar para os novos desafios e enfrentar o futuro.
Em toda sua história, Suape recebeu até o momento investimentos públicos (federais e estaduais) que somam R$ 545 milhões. Em contrapartida, a iniciativa privada aportou US$ 2,1 bilhões. Em toda a área destinada a receber empreendimentos industriais funcionam 84 empresas. Até o ano de 2010, estão previstos novos aportes com recursos públicos, estimados em R$ 259 milhões, oriundos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Plano Plurianual de Investimentos (PPI), que em tese não podem sofrer contingenciamentos. Já a iniciativa privada projeta investimentos da ordem de US$ 7 bilhões.
“O nosso desafio está em consolidar esses investimentos. Para isso é necessário melhorar ainda mais a infra-estrutura do complexo e garantir a ligação com outros modais, como a ferrovia”, diz o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidente de Suape, Fernando Bezerra Coelho. Nesse ponto ele tem pressa.
De acordo com o diretor de Novos Negócios de Suape, Sidnei Aires, dos R$ 259 milhões previstos até 2010, cerca de R$ 193 milhões serão empregados na construção da infra-estrutura necessária para que Suape receba uma refinaria de petróleo, projeto orçado em US$ 4 bilhões. Esses recursos serão empregados na realização de uma dragagem, na instalação de um píer e na construção de rodovias internas destinadas a atender às necessidades do projeto. O restante do dinheiro será utilizado na construção de aterros, acessos rodoviários, adaptação do píer de granéis líquidos e outras demandas.
Cargas em expansão
Só no primeiro semestre desde ano, Suape registrou crescimento de 31% na movimentação de cargas conteneirizadas em relação a igual período de 2006, com volume de 114 mil TEUs (unidade padrão para contêineres de 20 pés). O volume total de cargas operadas no porto chegou a 3,1 milhões de toneladas, 22% maior que nos primeiros seis meses do exercício anterior. Como os volumes operados tradicionalmente tendem a crescer ao longo do segundo semestre, a previsão é que supere os 6,5 milhões de toneladas até o final deste ano.
Esta evolução, segundo Bezerra Coelho, já está levando o Estado a tentar abrir um canal de negociação com a empresa filipina ICTSI, controladora do Tecon Suape, terminal privado de contêineres instalado no local. A intenção é tentar antecipar, em pelo menos um ano, a implantação de um segundo terminal privado de contêineres. O contrato assinado entre o Governo do Estado e o Tecon prevê a abertura de uma licitação para um novo terminal de contêineres três anos após o Tecon registrar a operação de 250 mil contêineres.
Em 2007, de acordo com o presidente do Tecon Suape, Sérgio Kano, deve ser alcançado o volume de 115 mil unidades. A previsão do Tecon é que o volume previsto em contrato seja atingido somente em 2009. Oficialmente, Kano nega que alguma tratativa sobre uma eventual possibilidade de expansão tenha sido iniciada.

Os primeiros passos nesta direção, porém, foram dados em julho com a conclusão das obras de construção do cais 4, que funcionará como um cais público. O atual cais público passa a ser de uso do Tecon, que planeja uma nova expansão nas áreas limítrofes para o próximo ano. A estimativa é que, num primeiro momento, a capacidade do Tecon passe dos atuais 350 para até 500 mil TEUs por ano.

Operação multimodal
Outra diretriz do Governo do Estado é garantir eixos de ligação intermodal de maneira a captar novas cargas e garantir o êxito de Suape na intenção de se transformar em um hub port (porto concentrador) regional. Nesse ponto, as negociações junto à Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), responsável pela implantação da ferrovia Transnordestina, são fundamentais.
Suape possui atualmente 42 quilômetros de malha férrea dentro da área do complexo. Mas se internamente a malha está pronta para operar, não existe ligação com outros pólos econômicos, como o vale do Araripe (Sertão pernambucano), de onde sai mais de 90% da produção nacional de gesso e gipsita, ou o vale do São Francisco, que responde por mais de 90% das exportações brasileiras de mangas e uvas de mesa. Hoje apenas um terço do volume de frutas exportadas sai por Suape. O restante é escoado através dos portos de Salvador (BA) e Pecém (CE). A ligação ferroviária também possibilitaria uma saída para os produtores de grãos do Oeste da Bahia e de regiões circunvizinhas.

“Estamos ainda fazendo incursões para atrair novas linhas de navegação e ampliar os serviços já existentes”, garante Bezerra Coelho. A preocupação também é ampliar o número de linhas disponíveis para a navegação de longo curso, em função da chegada de grandes empreendimentos ao Estado, como a fábrica de resinas Pet da M&G. A implantação da indústria resultou em um incremento de cerca de 10% no volume de cargas contêineirizadas operadas em Suape. A unidade vai estimular a criação de um pólo petroquímico de resinas termoplásticas.
O secretário adianta que vai comprar briga para fortalecer a navegação de cabotagem. “Se queremos transformar Suape em um hub port, precisamos apostar na navegação de longo curso e também numa boa oferta de navios e de linhas de cabotagem para que seja feita a redistribuição de cargas ao longo de toda a costa brasileira”, justifica. Ele quer abrir discussões junto ao Governo Federal para que o monopólio da navegação de cabotagem por parte das empresas nacionais seja quebrado ou, pelo menos, flexiblizado. “Vamos discutir a possibilidade de que empresas estrangeiras façam esse serviço por um determinado período de tempo, até que a indústria naval brasileira adquira competitividade e que as empresas possam se adequar à nova realidade econômica nacional”, observa Bezerra Coelho.
Novos negócios
Na lista de projetos engatilhados para o Porto de Suape estão dois terminais multimodais da CFN e um terminal de açúcar refinado. Com investimento estimado em R$ 124 milhões, as unidades da CFN vão movimentar grãos e minérios. A expectativa é que os terminais comecem a operar em 2011. Já a implantação de um terminal de açúcar no porto deverá ser comandada pela trading inglesa Man. O projeto está avaliado em US$ 50 milhões e terá capacidade para movimentar 100 mil toneladas de açúcar.
A atração de empreendimentos que reforcem a cadeia produtiva das empresas já instaladas no Complexo Industrial de Suape é outra estratégia da estatal. Até junho deste ano, o porto contabilizou 15 novos projetos viabilizados. Apesar de comemorar essa expansão, a diretoria reconhece a necessidade de ordenar a ocupação do porto. Hoje, dos 13,5 mil hectares do complexo, restam 2 mil para a implantação de novas empresas.
Uma das medidas adotadas pelo governo será antecipar a revisão do Plano Diretor de Suape. “A conclusão deveria acontecer em 18 meses (fevereiro de 2009), mas vamos correr para finalizar em um ano (julho de 2008)”, afirma Sidnei Aires. Elaborado há mais de 25 anos, o plano diretor do complexo já previa a instalação de empreendimentos como uma refinaria. De lá para cá, o documento recebeu apenas mudanças pontuais. Agora, Suape vai precisar planejar as próximas décadas, carregando o status e o ônus de ser um porto de classe mundial.
walmir bezerra cavalcanti Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
Parabéns,
já não era sem tempo, Suape tinha que ter um veículo de comunicação específico e deste porte. Esperamos saber de todas as novidades daqui por diante, afinal é este o grande empreendimento econômico no Nordeste de hoje e precisamos estar por dentro.
Sucesso ao seu criador!
jose geraldo barros Sábado, 20 de Outubro de 2007
Suape e a ponta do iceberb do desenvolvimento
É necessario que se diga aos pernambucanos o como chegar a este cluster. Como empreender, como ser participe. Pernambuco sempre foi um estado excludente. Sera que chegou a hora de participarmos?
saulo flavius Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
Se faz necessário a preocupação com um dique seco para suape a fim de consolidar definitivamente o estaleiro atlântico sul.
ricardo matoso Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Sou proprietário dos domínios www.portodesuape.com e www.portodesuape.com.br quem tiver interesse em comprá-los, é so entrar em contato.
contato@hostbits.net
IVAN Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
De uma forma geral o Blog é muito bom…faço um lembrete: o Blog deve manter suas notícias atualizadas, pelo menos as mais importantes…a matéria acima (capa atual do Blog) data de agosto de 2007, ela esta muito bem feita, porém, seus números de investimentos privados estão bem aquem dos atuais anunciados…
Temos notícias importantes sobre o Porto que não estão linkadas nem disponíveis pelo Blog, como: Siderúrgica, Ampliação do Estaleiro, empresas que solicitaram incentivos fiscais para suas ampliações e/ou instalações na região do Suape…etc.