Segunda maior economia do Nordeste, Pernambuco tem um dos menores índices de abertura ao comércio exterior da região. Mas quer virar o cenário

Nos últimos dez anos (de 1996 a 2006), o Brasil viveu um ciclo virtuoso do comércio internacional. A balança comercial acumulou sucessivos superávits e o País ganhou vigor na competição lá fora. Reconhecido por sua vocação como pólo distribuidor do Nordeste, Pernambuco não conseguiu transcender as fronteiras brasileiras e acompanhar o desempenho nacional. A estréia do Estado nos setores naval e petroquímico e a tentativa de interiorizar o desenvolvimento abrem perspectiva de crescimento econômico e de salto também no comércio exterior.
Pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos do Macroambiente Empresarial de Pernambuco (Gemepe), da Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire), aponta que Pernambuco fica à frente apenas de Sergipe, Piauí e Paraíba na avaliação do grau de abertura dos estados ao comércio internacional. “É uma performance que não condiz com um Estado que tem o segundo maior PIB do Nordeste (R$ 47,6 bilhões), atrás apenas da Bahia (R$ 86,8 bilhões)”, analisa o economista Uranilson Barbosa de Carvalho, coordenador do Gemepe.
Se Pernambuco figura como a oitava maior economia do País, com participação de 2,7% no PIB brasileiro, a contribuição no comércio internacional é de apenas 0,66%. A concentração da economia pernambucana nos setores de comércio e serviços é de 57,36%, enquanto a participação da indústria é de 33,13%, sendo uma das explicações para o fraco desempenho do Estado. Outra justificativa é que algumas atividades consideradas de grande potencial exportador, como confecções, gesso, frutas, alimentos e bebidas estão muito voltadas ao mercado interno.
Apesar disso, as oportunidades existem e começam a se fortalecer. “Estamos arrumando a casa para um novo cenário da economia pernambucana. Vamos lutar para consolidar não apenas o Porto de Suape, mas para firmar o Estado como um grande entreposto logístico e, também, como um pólo de produção e exportação”, afirma o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho.
Por essa visão, o desenvolvimento industrial e o comércio exterior, hoje fortemente concentrados na Região Metropolitana do Recife, devem ser estendidos ao Interior. De acordo com o estudo do Gemepe, mais de 50% das vendas externas de Pernambuco estão no Grande Recife, distribuídas entre os municípios do Recife, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca.
Interiorização
A Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) é quem está à frente do projeto de interiorização do setor produtivo. A idéia, de acordo com o presidente do órgão, Jenner Guimarães, é recuperar os distritos industriais do interior do Estado e instalar novos pólos industriais, caso haja necessidade. Um dos novos distritos será implantado em Serra Talhada, no Sertão.
Mas apenas favorecer o desenvolvimento econômico não basta. É necessário recuperar rodovias, em especial as que fazem a ligação para o interior. A BR-232, por exemplo, conecta o município de Petrolina (Sertão) - responsável pelas exportações de frutas e mangas - ao Porto de Suape. Além disso, como a maior parte da produção do vale do São Francisco, Araripe e Agreste é composta por produtos de baixo valor agregado, existe a necessidade premente de um modal mais barato que o rodoviário. Uma alternativa é a implantação da ferrovia Transnordestina.
Comparação regional
Numa avaliação do desempenho de Pernambuco, comparado ao dos vizinhos nordestinos, o Estado apresenta performance inferior à média da região. De 1996 a 2006, a balança comercial pernambucana apresentou saldo negativo ao longo de todo o período, enquanto o Nordeste acompanhou a tendência nacional, de superávit a partir de 2002. (veja gráfico)
Entre os estados que lideram a participação no comércio mundial, Pernambuco só aparece na quarta colocação, atrás da Bahia, que tem 55% de market share, do Maranhão (17%) e do Ceará (10%).
Mesmo diante dos indicadores negativos, o Estado quer dar um salto ousado, impulsionando a corrente de comércio (importações mais exportações) dos atuais US$ 1,7 bilhão por ano para US$ 3,4 bilhões anuais até 2010. A tarefa pode até não ser das mais fáceis, mas as oportunidades estão sendo maximizadas, o que, por si só, já uma excelente notícia.

Edmilson Souza Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
Gostei da materia acima sobre as import/export de Pernambuco.
Agora fiquei meio frustrado com os dados, pois um estado que tem o terceiro polo de informatica do pais, o segundo polo medico, o terceiro polo gastronomico, o maior celeiro de artesanato, musica e cultura do pais. Tem seus numeros tao insiginificantes no cenario nacional do mercado exterior.
Alguam coisa nao esta andando certo e algo tem que ser consertado urgente…Lembrem-se que vivemo num mundo competetitivo globalizado. Pernambuco Imortal, Imortal!