Municípios do entorno de Suape precisam investir em infra-estrutura urbana para suportar a avalanche de empreendimentos que estão chegando à região
Por Giovanni Sandes

Cada Real investido no Complexo Industrial Portuário de Suape é celebrado por representantes de governos municipais, estadual e até federal, como uma vitória pessoal associada a um nome e a uma legenda partidária. Às vezes, aparecem muitos pais para uma mesma cria. Mas a vontade política de atrair investimentos não basta. Qualquer grande empreendimento precisa de infra-estrutura adequada não só para a empresa, mas também para os funcionários. Receber uma refinaria de petróleo, um estaleiro e um pólo de poliéster é muito mais do que apenas comemorar investimentos. É providenciar moradia adequada, saúde, educação e transporte para 32 mil trabalhadores e suas famílias, estimativa da mão-de-obra que será empregada no pico da construção da Refinaria Abreu e Lima, do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) e das duas fábricas restantes do pólo de poliéster que já contam com a planta de resina PET da Mossi & Ghisolfi.
Os cinco municípios do entorno de Suape, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Escada e Moreno terão seus primeiros Planos Diretores. Eles terão um planejamento mais elaborado de seus territórios e não vão mais apenas regular a ocupação através de uma lei.

Até chegar a um planejamento adequado de toda a infra-estrutura que será necessária no entorno de Suape, é preciso mensurar qual a marca de empregos gerada pelos grandes empreendimentos. E também os chamados “impactos residuais”, provocados pelo contingente que, após trabalhar na construção das fábricas, ao invés de voltar para seu local de origem, continuará vivendo na região. “Foi isso que aconteceu na construção de Brasília (DF), quando os candangos se juntaram nas cidades-satélites. Precisamos induzir a infra-estrutura de uma forma artificial, pois a localização da refinaria foi uma decisão política”, explica o doutor em Economia e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ricardo Chaves.

A pedido do Núcleo de Desenvolvimento e Integração Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, Chaves elaborou o estudo Impactos dos Investimentos Industriais Projetados para a Microrregião de Suape Sobre a Infra-Estrutura Social. A metodologia foi a mesma utilizada pelo Banco Mundial para estudos em países desenvolvidos e em desenvolvimento.
O primeiro problema diagnosticado apareceu no quesito habitação. No auge da implantação dos empreendimentos, os funcionários e suas famílias precisarão de 29.952 domicílios próprios, mais 4.368 domicílios alugados. Segundo dados da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem), referentes aos municípios do entorno de Suape, essas cidades já têm, juntas, um déficit de 35 mil habitações.
A prefeitura do Cabo foi a primeira do grupo a concluir seu Plano Diretor, no ano passado. As demais administrações municipais da região ainda estão adequando sua legislação. “O que havia era uma Lei de Uso do Solo, mas não uma legislação mais abrangente. Fizemos um levantamento e detectamos 33 mil lotes de terra cadastrados na prefeitura e não ocupados”, revela o secretário de Habitação e Urbanismo do Cabo, Marcos Germano. Ele fala que, caso fossem instaladas duas famílias em cada um desses lotes desocupados, a cidade teria espaço para abrigar mais 330 mil pessoas, quase o dobro da população atual do município, de 174 mil habitantes. “Claro que isso seria uma ocupação gradativa, porque tem que ser sustentável”, pontua.
Dos 448 quilômetros quadrados que correspondem à área do Cabo de Santo Agostinho, a zona urbana representa 40%. E é onde 84% da população reside. “Precisamos garantir a otimização do espaço urbano, que tem muitas áreas a serem ocupadas. Não adianta vender ou comprar lote de terra barato e longe de infra-estrutura, porque aí a gente não pode fornecer hospital, transporte”, argumenta Germano.
Em outros aspectos, o quadro também fica bastante complicado. Ao contrário do que se pensa, por exemplo, a maior pressão social será por matrículas no período escolar. “Na pesquisa, observamos tanto o passado como comparamos a região com áreas que receberam empreendimentos semelhantes. Em educação é normal que engenheiros, por exemplo, tragam mais filhos que estão cursando o ensino fundamental. Somente para essa fase escolar serão necessárias mais de 27 mil matrículas”, ilustra o pesquisador.

Ipojuca receberá um Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e o Estaleiro Atlântico Sul inaugurou, em junho, o Nascedouro de Talentos, localizado no antigo matadouro municipal. A iniciativa do EAS será administrada pela prefeitura e terá foco na qualificação profissional. O secretário de Planejamento de Jaboatão, Edson Mattos, garante que para o município também receber uma área do Cefet, basta vencer a dificuldade de encontrar uma área de dez hectares requisitada pelo Ministério da Educação.
O estudo de Ricardo aponta que passado o ápice das obras, em torno de 14 mil novas matrículas do ensino fundamental serão necessárias para os filhos dos funcionários dos empreendimentos. Chaves traz uma simulação de que 10% da mão-de-obra empregada na implantação das fábricas permanecerá no local, fora o quadro de trabalhadores fixos das fábricas. Com base nesse percentual, outras 2.773 matrículas do ensino fundamental seriam direcionadas aos familiares desse quantitativo “residual”.
O secretário de Educação de Ipojuca, Romero Sales, garante que a demanda no município poderá ser suprida. “Tínhamos 16.400 alunos na rede pública, em 2004, hoje temos mais de 20 mil alunos e três escolas projetadas nos distritos de Camela, Rurópolis e na sede do município; assim, passaremos a ter capacidade para atender 24 mil estudantes”, calcula.
Para a secretária de Desenvolvimento Econômico de Ipojuca, Simone Osias, é preciso atenuar a discrepância da realidade de Suape, com a chegada de tantos investimentos e a oferta de postos de trabalho, e a situação dos municípios ao redor. “Ipojuca, por exemplo, tem 70 mil habitantes, mas desse total 70% são pobres e 30% analfabetos”, observa. Ela ressalta que das 470 primeiras contratações do EAS, apenas 70 ocuparão nível superior.
Ainda assim, destaca Ricardo Chaves, o esforço do poder público através de investimentos diretos não pode suprir todas as carências. “Os números estão aí. Como essas questões serão resolvidas é algo para ser trabalhado pelos planejadores. Agora, o papel do governo também é de fomentar investimentos”, enfatiza o economista.
A caminho da mobilidade
Desde janeiro de 2006 a Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem) debate com as prefeituras de Moreno, Jaboatão dos Guararapes, Escada, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca o plano Território Estratégico de Suape - Diretrizes para uma Ocupação Sustentável. Mas um dos principais temas do levantamento, a mobilidade dos trabalhadores dos grandes empreendimentos, vem sendo deixado de lado. As prefeituras criticam a falta de atenção com o assunto porque a saída para atenuar a pressão social sobre os municípios pode ser justamente criar condições para os trabalhadores cruzarem a Região Metropolitana do Recife (RMR) para chegar a Suape, cumprir sua jornada de trabalho e retornar para casa, ao fim do expediente. Tudo em um curto espaço de tempo.
“Uma discussão já colocada para o governo estadual é que não se trata só de habitação, mas também de mobilidade. Temos uma linha ferroviária de 1854, a segunda do Brasil, subutilizada. Precisamos encurtar as viagens e foi por isso que o presidente Lula aprovou o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT)”, defende o secretário de Urbanismo e Habitação do Cabo, Marcos Germano. Lula anunciou, no último dia 12 de junho, R$ 100 milhões para a expansão do metrô da RMR este ano, de Jaboatão dos Guararapes, no bairro de Porta Larga, até Cajueiro Seco, no Cabo. A obra total está orçada em R$ 295 milhões e ainda visa substituir os trens a diesel pelos VLTs.
Para o secretário de Planejamento de Jaboatão, Edson Mattos, a Via Metropolitana Sul seria uma alternativa complementar ao metrô, saindo do Cabanga, no Recife, e percorrendo 33 quilômetros por um traçado alternativo, aproveitando a Via Mangue, na capital, e a Via Parque ligará Jaboatão ao Cabo, pelo litoral, até a PE-60. O problema é que os recursos para a Via Metropolitana não foram garantidos.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico de Ipojuca, Simone Osias, até que se dê atenção ao quesito mobilidade dos trabalhadores, essa será a saída, por exemplo, para alguém que reside no município de Paulista, na Zona Norte da Região Metropolitana do Recife (RMR), e consegue um emprego em Suape. “Temos um déficit habitacional grande, mas se não proporcionarmos mobilidade para essa mão-de-obra, o que vai acontecer é uma pessoa de Carpina ou de Igarassu precisar se mudar para Ipojuca por causa da dificuldade de acesso físico.”
Daniela rodrigues da silva Domingo, 7 de Outubro de 2007
eu e meu esposo gostaria de ir embora para pernambuco e trabalhar nas empresa tenho 4 filhas e gostaria muito de sua ajuda se a senhora ou o senhor tiver algum emprego para mim ou meu esposo gostaria que vocês respondesse a este email.
marcio Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
como faço pra saber as empresas q estao dando oprotunidade de emprego?